Goiânia – Estava já dentro do carro, saindo do trabalho, quando meu amigo Marcelo, do setor de informática e que torce pelo Atlético da Campininha, me parou no estacionamento: “Estive conversando com um conhecido e ele me falou algo que me deixou pensativo. O cara disse que já podemos acabar com o futebol goiano. Com esses times sem ambição e que não disputam nada além do medíocre, não podemos culpar ninguém por torcer por times de outros estados”. É uma reflexão interessante.
Concordei com Marcelo e com seu conhecido. Comecemos pelo Goiás, meu time de coração. Somente ficar na Série A é muito pouco para o esmeraldino. Isso é piada repetida, não toca nosso coração verde. O Goianão, #pelamordedeus, é mais desinteressante que assistir torneio de pesca pela televisão. O torcedor do Goiás quer um título de expressão. Ponto final. A diferença do interesse em 2014 entre a Sul-Americana e o Brasileirão-sem-graça-de-meio-de-tabela-e-sem-grandes-ambições mostra isso.
Para o torcedor do Dragão, a situação também é desanimadora. Quais são as ambições do Atlético? Em primeiro lugar, ficar na Série B. Isso é considerado título para sua diretoria. Voltar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro seria comemorado como conquista de Libertadores da América (e foi por um triz que a façanha não foi alcançada esse ano…). Se rolar de beliscar um Goianão no último minuto, com um gol achado em um escanteio, melhor. Se não rolar, tudo certo também.
E o vilanovense? No contexto atual, o torcedor do Vila Nova se contenta em somente ter um time. Jogadores que coloquem o clube novamente na primeira divisão do Campeonato Goiano e o devolva à Série B do Brasil. Se em 2016 o Vila Nova ganhar o título do Goianão, será motivo de glória para os colorados. Para você ver o estado que o Tigrão se encontra…
Cá entre nós, quanta mediocridade de objetivos por parte de todos, não? Torcedor não gosta de ser humilhado. E o futebol goiano está fazendo isso com nós ano após ano. Não dá para cobrar bairrismo de quem escolhe torcer por times grandes dos estados centrais do Brasil. Masoquismo não é majoritário na sociedade.
Qual a contrapartida que o futebol goiano oferece para quem escolhe um time local? Uma vida de sofrimento e longe das grandes disputas. Espírito estóico não é matéria farta no mercado. Heroísmo é para poucos e não é todo dia que nasce Tiradentes que coloca o pescoço na corda pela causa.
Deveríamos ser acionados pelo Conselho Tutelar por influenciarmos nossos filhos a torcer por times goianos. É muita irresponsabilidade. Impor sofrimento eterno a menor é coisa séria. Ele ainda é incapaz de perceber a roubada que o estamos metendo. É dever do Estado intervir em situações assim.
Mas somos tapados e continuamos acompanhando esse futebol meia-boca, soporífero e que não vai a lugar nenhum. Se existe quem sente prazer no sofrimento, o torcedor dos times goianos é o melhor exemplo desse curioso tipo de gente.