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Por cuidados mais justos

04.02.2022 - 11:39:43
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O tratamento contra o câncer é essencial para promover a cura ou mesmo ofertar mais tempo e qualidade de vida aos pacientes diagnosticados com essa condição. A realidade, no entanto, é que nem sempre todos eles conseguem acesso ao diagnóstico e tratamento adequados, e isso pode ser fatal.
 
No dia 4 de fevereiro, celebramos o Dia Mundial Contra o Câncer. Esta é uma campanha criada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com objetivo de conscientizar a população e as autoridades sobre essa doença que atinge e dizima milhares de pessoas todos os anos. A UICC une e apoia a comunidade para reduzir a carga global da doença, promover maior equidade e garantir que o controle do câncer continue a ser uma prioridade na agenda mundial de saúde e desenvolvimento.
 
A data é uma iniciativa singular sob a qual, o mundo inteiro pode se unir na luta contra a epidemia global de neoplasias. Ela visa prevenir milhões de mortes a cada ano, aumentando a conscientização e a educação sobre o câncer e pressionando governos e indivíduos em todo o mundo a tomar medidas contra a doença.
 
A atual campanha da UICC para o Dia Mundial Contra o Câncer, realizada entre 2022 e 2024, tem como tema “Close the care gap”, em tradução livre pela própria entidade, “Por cuidados mais justos”. Isso porque, hoje, a realidade é que a diferença entre vida e morte pode estar associada a quem é o indivíduo e onde ele mora. Por não ser justo, é isso que a campanha pretende modificar.
 
Renda, educação, localização geográfica e discriminação por etnia, gênero, orientação sexual, faixa etária, incapacidade e estilo de vida são apenas alguns fatores que podem afetar negativamente nos cuidados. A diferença pode parecer sutil, mas fechar a lacuna no tratamento do câncer não é simplesmente fornecer a todos os mesmos recursos. Equidade é dar a todos o que eles precisam para levá-los ao mesmo nível – desafio para todos os países de alta ou baixa renda.
 
Em 2020, estimativas apontam 10 milhões de mortes por câncer, sendo que 70% das mortes por câncer ocorrem em países de baixa a média renda, e que menos de 30% dos países de baixa renda têm serviços de tratamento de câncer disponíveis. De forma geral, as taxas de sobrevivência ao câncer infantil são superiores a 80% em países de alta renda, mas tão baixas quanto 20% em países de baixa renda. Ademais, mais de 90% da mortalidade por câncer do colo do útero ocorre em países de baixa e média renda.
 
Em relação a discriminação, nas populações de refugiados, o câncer tem maior probabilidade de ser diagnosticado em estágio avançado, ao passo que o rastreamento do câncer entre pessoas trans é menor do que no resto da população.
 
Esses problemas afetam os países desenvolvidos também. Na Nova Zelândia, por exemplo, os Maoris (povo indígena nativo) têm duas vezes mais chances de morrer de câncer do que os não maoris. Outro dado alarmante, é que para mulheres brancas nos EUA, a taxa de sobrevivência de cinco anos para câncer de colo de útero é de 71%, já para as negras, essa taxa cai para 58%.
 
Para mudar parte dessa realidade, devemos contribuir de forma coletiva, compartilhando conhecimento, trazendo essas questões para discussão em família, no trabalho, na comunidade, além de divulgar as ideias e os materiais de campanhas oficiais. Informação de qualidade também ajuda a salvar vidas!
 
*Wanessa Apolinário Martins é oncologista clínica do INGOH e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)
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por Wanessa Apolinário Martins

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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