Ontem comecei mais uma atividade em minha nobre rotina: aulas de natação. Três vezes por semana, estarei dando minhas braçadas para dar uma cuidada na saúde. Uma pessoa cheia de maus hábitos como sou, precisa ter esse tipo de zelo, né? Hoje, naturalmente, estou com umas dores de pequena intensidade pelo corpo. Normal quando damos início a um novo exercício. Eu não estava sedentário. Fazia minha boa caminhada diária no Lago das Rosas (inclusive encontrava direto o amigo aqui de A Redação, João Camargo Neto, em sua corrida). Conseguia dar quatro voltas no parque em uma hora e quarenta. Uma boa média. Mas meu corpo estava dando sinais de desgaste. Meu joelho doía. Percebi que era a hora de pegar algo que diminuísse o impacto.
Meu cunhado já estava fazendo natação há um tempo e falava maravilhas. Com esse comercial todo, saquei que o momento de vida estava propício: estou usando cabelo curto (para quem tem cabelo grande enrolado e seco como o meu, piscina é o terror), minha mulher também precisava fazer esse esporte, o horário conciliava com minha agenda corrida. Ou seja, tudo estava favorável. Gostei bastante da primeira aula de ontem. Mas o problema é justamente esse: sempre quando começamos uma nova atividade física, esbanjamos empolgação. É um vigor, uma alegria, uma força de vontade… Quando entra na rotina e começam as dificuldades, a coisa muda de figura. O que era um prazer se transforma em um fardo. A alegria vira enfado. O vigor, preguiça. Por que a gente é assim?
Eu já fiz natação uma vez na vida. Quando eu era criança, meu avô Oswaldo me levava para fazer aulas de tênis na Esefego. Eu ficava namorando aquela piscina, mas não sabia nadar. Até que o convenci de que seria importante para mim aprender a nadar para um caso de urgência. Foi o argumento cabal para que eu obtivesse a permissão. E comecei no esporte. Ia e voltava naquela piscina com um sorriso que ligava as orelhas. Aprendi a nadar, vi que meu estilo preferido era o peito e tudo corria bem. Mas aí começaram as competições. Aquilo me derrotou. Eu não queria ficar disputando com o relógio. A disputa, na minha cabeça pueril, só havia sentido se tivesse uma bola no jogo e pontuação. Futebol sempre foi de boa. Basquete também, é claro. Tênis tinha todo sentido. O vôlei eu desprezava, mas via que fazia senso. O restante… Larguei a natação. Como já larguei tantas outras modalidades esportivas ao longo de minha vida, pelos mais variados motivos.
Depois disso, só usava meus conhecimentos adquiridos nesse período de Esefego quando mergulhava em alguma cachoeira de Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros. Mas o mundo dá voltas e cá estou eu novamente, com uma touquinha e óculos de cores engraçadas. Se hoje o fim não é aprender a nadar, é manter a saúde em dia – missão não menos nobre que a primeira. Espero só que dessa vez eu seja mais disciplinado e perseverante. Afinal, tenho que dar o exemplo para minha mulher (a preguiça em pessoa quando o assunto é atividades físicas) e filhas, pois quero as duas bem saudáveis e praticando exercícios sempre. Como o papo é esporte, tenho minhas dúvidas. Se fosse para comer um monte e beber litros, tenho convicção de que essa nuvem não estaria pairando sobre minha cabeça. Mais uma vez, preciso voltar no Barão Vermelho: por que a gente é assim?