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Praticada por 74% dos brasileiros, automedicação pode levar à morte

16.09.2017 - 17:52:37
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Mônica Parreira
 
Goiânia – A escolha intuitiva de medicamentos para tratar dores ou mal-estar é uma prática cultural. No Brasil, 76% da população confessa que possui esse hábito, segundo o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ). Atualmente, com o universo de buscas na internet, a automedicação acaba se tornando mais comum. E também mais perigosa, podendo levar à morte. 
 
Desde 1994 o uso incorreto de medicamentos mata mais brasileiros do que intoxicação alimentar ou por agrotóxicos. Em Goiás o cenário não é diferente. De janeiro de 2015 a junho de 2016, a Superintendência de Vigilância em Saúde (Suvisa) registrou 45 óbitos por intoxicação medicamentosa. 
 

Lorena Baía (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação) 
 
Todos esses dados são tão alarmantes quanto reversíveis. Para a vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO), Lorena Baía, alguns cuidados básicos do paciente podem evitar qualquer efeito colateral, reduzindo as más estatísticas. “É primordial o acompanhamento de um profissional de saúde, inclusive para os medicamentos sem tarja, ou seja, de venda livre”, disse. 
 

Cuidado em casa
Segundo a farmacêutica, os riscos não estão presentes só no uso indevido, mas também no acondicionamento. Calor ou umidade podem estragar o medicamento. “Além de cuidados na hora da ingestão desse comprimido, a pessoa deve estar atenta em como e onde armazená-lo em casa”. 
 
Outro alerta é o cuidado com as crianças. “Importante manter todo o conteúdo fora do alcance delas, porque grande parte das intoxicações acontecem com crianças de até quatro anos de idade. Por desconhecimento e curiosidade, ela acaba colocando na boca e isso pode levar a óbito. No ranking dos desses casos estão analgésicos, antitérmicos e antiinflamatórios, ou seja, medicamentos de venda livre que as pessoas costumam ter em casa”, exemplificou.
 
Uso comum, mas perigoso
Lorena ainda falou sobre medicamentos considerados de uso comum, como dipirona ou paracetamol. Apesar da aparência inofensiva, carregam perigo. “Temos de ter em mente que o mesmo medicamento que cura pode matar. Mesmo isentos de prescrição, eles não são isentos de reações adversas”, disse a farmacêutica. 
 

Frequência e dosagem devem ser acompanhadas (Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas)
 
“O paracetamol, por exemplo, é um produto não comercializado nos Estados Unidos e em vários países da Europa, mas de venda livre no Brasil. É extremamente hepatotóxico (prejudicial ao fígado), e a dose diária pode desencadear doenças graves. Já a dipirona muitas pessoas usam para o controle da dor, da febre. Se não for devidamente utilizada, pode desenvolver uma agranulocitose (alteração do sangue). Então a automedicação traz muitos riscos”. 

Ajuda profissional
Desde a aprovação da Lei 13.021, em 2014, adquirir e utilizar medicamentos passou a ser uma prática mais segura no Brasil. Isso porque a lei garante a presença de um farmacêutico nas farmácias durante todo o funcionamento. A vice-presidente do CRF-GO disse que, em Goiás, o cumprimento da regra tem sido satisfatório. A média é de 1,5 profissional por estabelecimento.
 
(Foto: divulgação)

Lorena lembrou que o farmacêutico é o profissional da área da Saúde mais acessível à população. “O único que o cidadão não precisa de um horário marcado para consultar. É só chegar no balcão de uma farmácia”, argumentou. Por esse motivo, conforme destacou, a automedicação precisa ser evitada e combatida. “O farmacêutico pode auxiliar em situações de espirro, congestão nasal, cólicas menstruais, constipação intestinal, vômitos e náuseas, que são transtornos de saúde menores”, disse ao incentivar a busca por ajuda profissional.
 
E caso o paciente não encontre farmacêutico ao chegar no estabelecimento, a orientação é denunciar. Nesse caso, o recomendado é acessar o site do CRF-GO para registrar a reclamação.  “A pessoa pode manter o sigilo ou se identificar. Se achar mais fácil, pode denunciar pelo e-mail fiscalizacao@crfgo.com.br”, completou.  

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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