Adriana Marinelli
Goiânia – Empossado no último dia 30 de abril, o novo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), o desembargador Walter Carlos Lemes, prevê muito trabalho no processo eleitoral deste ano. Resultado de ampla mobilização popular e aprovada pelo Congresso Nacional em 2010, a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010) será pela primeira vez aplicada em uma eleição geral. Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação, o presidente destacou que a fiscalização do TRE acompanhará o rigor da lei.
"Hoje que o voto é obrigatório e que as pessoas precisam ir às urnas para ficar sem pendências com a Justiça Eleitoral para tirar passaporte, por exemplo, muitas não fazem isso. Diante de tantas exigências e cobranças, a abstenção ainda é muito grande. Mesmo diante do voto obrigatório, muitos não fazem a menor questão de regularizar o documento pessoal. Eu acredito que, do jeito que está hoje, se não fosse obrigatória a votação, talvez nem teríamos eleições. O brasileiro não tem essa consciência, o dever cívico, o amor à Pátria que têm os americanos. Brasileiro só pensa muito no país e demonstra seu amor ao Brasil durante a Copa do mundo."
Jovens eleitores
Para o desembargador, os jovens têm poder decisivo na busca por mudanças no Brasil, no entanto não sabem como reivindicar melhorias de forma legal. "Eu acho extremamente necessária a participação dos jovens nas eleições, pois são eles que vão às ruas lutar pelos seus direitos, eles que vão reclamar dos desmandos governamentais. Então, se eles saem às ruas e brigam, depredam ônibus, quebram várias coisas, por que eles não vão às urnas para eleger um bom representante?", diz. "Só através do voto conseguiremos colocar pessoas qualificadas para administrar o município, o Estado e o país". argumenta.
Perguntado sobre como está a expectativa do TRE-GO em relação a possíveis manifestações no dia das eleições, o presidente garante que um trabalho está sendo realizado para evitar tumultos. "Eu acredito que teremos, sim, esses protestos. Mas espero que sejam pacíficos e sem prejuízos. Algumas pessoas desses grupos precisam entender que estão prejudicando a própria população quando queimam ônibus, quando depredam monumentos e prédios públicos", ressalta.
(Foto: Brazil Nunes)
"Ao meu ver, manifestação justa e com verdadeiros propósitos são como aquelas que existiam no passado, quando as pessoas iam para as ruas de cara pintada, gritando seu amor pela pátria. Isso aí seria bem vindo. Precisamos de mudanças, realmente, e os jovens são peças importantes nesse processo, mas tudo precisa de limite. Estamos em época de Copa do Mundo e, como eu já disse no meu discurso de posse, espero que cada voto no dia 5 de outubro seja um gol", finaliza.