Goiânia – Você é uma pessoa que se importa com privacidade? Se sua resposta for positiva, saia agora de tudo quanto é rede social, feche suas contas de e-mail e, para eficácia maior de seu desejo de anonimato, dispense rapidamente seu aparelho celular, seja ele um smartphone ou um bom e velho tijolão. Para falar a verdade, é melhor nunca mais entrar na internet de seu computador pessoal. Todo cuidado é pouco.
Lembra-se do ditado popular que dizia que caiu na rede é peixe? Pois é, somos todos peixes dos interesses mais diversos quando optamos por entrar na internet. Sei disso há tempos. Tenho consciência de que o preço que pagamos por curtir as benesses do mundo virtual é deixar rastro para bisbilhoteiros das mais variadas estirpes: de Barack Obama ao zé mané da esquina. Por isso não me surpreendi com a confissão por parte do Google de que o Gmail não garante privacidade.
De forma empírica, já tinha sacado isso. Não é segredo para ninguém que minha conta de e-mail é Bol, o jurássico Brasil Online. Até tenho uma conta Gmail, mas a uso somente como arquivo, não para o dia a dia. Tenho um grupo restritíssimo de amigos com os quais compartilhamos, via e-mail, notícias variadas, vídeos absurdos e coisas que só interessam a nós.
É claríssimo que as propagandas que acompanham os e-mails vindos de contas Gmail sempre são correspondentes ao que estamos conversando. Se falamos de música, tentam nos vender instrumentos musicais, passagens para o Rock in Rio, ingressos de shows. Se o papo é sobre futebol, camisas de times, materiais esportivos, cerveja. Quando recebemos comerciais sobre pacotes turísticos para a Jamaica, é claro que o assunto é… reggae!
Como tudo na vida, para ganharmos alguma coisa, precisamos ceder outras. Na internet não é diferente. Não é bom demais ter zilhões de informações por segundo? Não é bom demais poder pesquisar qualquer assunto com apenas alguns cliques? Não é bom demais poder manter contato com o mundo todo só com seu celular? Naturalmente, isso não é de graça. E não estou falando das absurdas faturas que mensalmente entopem nossas caixas de correio e esvaziam nossas contas bancárias. O preço é justamente ceder parte de nossa privacidade. Se não aceita isso, não participe do jogo. A regra é essa. Esteja ciente.
Bloquear acesso a estranhos em suas redes sociais é paliativo. Não confirmar nada quando lhe perguntam em questionários na rede é tão eficaz quanto enxugar gelo. Se não quer deixar pegadas, não ande nessa areia chamada internet.
E cada vez mais Huxley (editado após comentário do leitor) ganha ares proféticos. Por falar nisso, cadê minha dose de soma?