Mônica Parreira
Goiânia – Ainda que em menor frequência, o golpe da lista telefônica continua a fazer vítimas em todo o país. Só este ano, o Procon Goiás já registrou 49 ocorrências, e alerta: às vésperas de final de ano o caso se torna mais recorrente.
O crime teve maior repercussão em 2007 e 2008, quando ficou nacionalmente conhecido. Só em Goiás, neste período foram registrados cerca de 400 ocorrências por ano, números que diminuíram com a intensificação das investigações policiais.
O golpe
"Trata-se de pessoas que ligam para as empresas, se identificam como uma marca de lista telefônica e oferecem o serviço gratuito", explica Limari Ferreira, gerente de atendimento do Procon Goiás. Ainda por telefone, o golpista confirma os dados da empresa e envia um fax do contrato. "Eles ficam na linha esperando a pessoa assinar e devolver o documento".
Meses depois, a empresa recebe cobrança 'fantasma', geralmente embutida na conta telefônica. Caso o consumidor se recuse a pagar, inicia uma série de ameaças. "Eles começam a ligar e dizem que vão negativar o nome da empresa. Com medo, as pessoas acabam pagando os boletos", explica a gerente.
Confira o documento:
Caso recente
Uma empresa goiana de medicamentos foi vítima na última semana. "Recebi uma ligação de São Paulo, assinei o documento e enviei. Porém, achei estranho e fui pesquisar na internet sobre a lista telefônica. Aí percebi que caí no golpe", diz o funcionário.
Limari Ferreira indica que, por se tratar de estelionato, o primeiro passo da vítima deve ser registrar uma ocorrência na delegacia, e depois procurar o Procon. "Nós (do Procon) entramos em contato com a empresa para tentar o cancelamento do contrato, e às vezes temos sucesso. Porém, isso é caso de justiça".
O funcionário da empresa goiana seguiu os passos indicados e o caso já está sobre o poder público. "Fiz o boletim de ocorrência e a posição que recebi do delegado é que, por se tratar de um golpe, não devemos pagar nenhum boleto que chegar. Disse ainda que haverão ligações com cobranças e ameaças, que é normal".
Para evitar que casos como este vitimem mais pessoas, a gerente de atendimento do Procon Goiás sugere atenção. "É preciso tomar cuidado para não assinar nada sem ler. Também não recomenda-se o fornecimento de dados da empresa via telefone", diz.