A Redação
Goiânia – Em entrevista exclusiva à Carta Capital desta semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou seu apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff e voltou a defender a regulação da mídia, tema que integra o programa de governo do PT. Na conversa de mais de duas horas com o jornalista Mino Carta, o petista falou também de Copa do Mundo e das eleições 2014.
Questionado sobre questões políticas e sobre a atual momento do PT, o ex-presidente não poupou críticas. Lula criticou a forma de atuação do seu partido. Ele disse ainda que não se pode permitir que "meia dúzia de pessoas" deformem a imagem do PT.
"O partido começa a errar, quando começa a utilizar as mesma práticas dos outros. Todo mundo quer muito dinheiro para se eleger alguma coisa, todo mundo quer facilidade daqui, facilidade dali", afirmou Lula. "O partido também começou a entrar na mesmice dos outros partidos." "A tradição política do Brasil é de tribos locais. São caciques regionais", afirmou. "É o cacique de Minas, o cacique de Pernambuco, é o cacique de São Paulo, o cacique do Rio de Janeiro."
Sobre as eleições deste ano, confirmou seu apoio à pré-candidatura de Dilma à reeleição e garantiu que vai acompanhar a presidenta em todos os palanques que ela quiser. O ex-presidente não acredita que o resultado do Mundial possa mudar a opinião dos eleitores.
Copa
Lula falou ainda sobre as expectativas em relação à Copa do Mundo no Brasil e sobre os protestos. “Eu acho difícil imaginar que a Copa do Mundo possa ter qualquer efeito sobre a preferência por este ou aquele candidato”, afirmou. “Por outro lado, se o Brasil perder, acho que teremos um desastre similar àquele de 1950”, completou Lula.
O ex-presidente lamentou, ainda, não ter mais o apoio do também pré-candidato à presidência Eduardo Campos. “Conheço o Eduardo Campos, é meu amigo, gosto dele profundamente”, afirmou o ex-presidente. Ele disse ter ficado entristecido por não ter acontecido uma composição com o ex-governador de Pernambuco. “Mas era destino”, disse.
Animado para a disputa eleitora, Lula afirmou que Dilma continua sendo a melhor opção para presidir o País. “Conheço o Aécio, ele não tem a mesma firmeza ideológica do Eduardo, tem outro compromisso, é um representante mais afinado com a elite. Mas a Dilma é a mais preparada”, completou.
Lula aproveitou para falar sobre o papel dos meios de comunicação e a regulação da mídia. Para o petista, ao governo não interessa uma mídia chapa-branca como nos governos anteriores, mas exige mais cautela e respeito. “Eu não quero isso, não quero que tratem o PT como trataram a turma do Collor nos dois primeiros anos do seu mandato. Agora, também é inaceitável a falta de respeito com Dilma”. (Com informações da Agência PT de Notícias)