Goiânia – Estamos todos preocupados com essa sequência de arrastões em bares e restaurantes de Goiânia. A violência bateu na nossa porta, classe média, de verdade. O fato de a criminalidade enfiar o pé na cara de uma faixa social que não estava habituada a isso refletiu nas manchetes, nas rodinhas e nas redes sociais. Parece que o último porto seguro de quem estudou em escola particular e fez UFG foi arrombado. E isso deixou todos de cabelo em pé.
A real é que treta em bar é a coisa mais comum do mundo. Diariamente vemos notícias de assassinatos, roubos, estupros e tudo quanto é tipo de crime em botecos de Goiânia e das cidades que nos circundam. O que mudou é que antes passava meio batido como notinha de rodapé e agora ganhou o espaço nobre. A razão? Simples. O que sempre rolou foi na quebrada, na periferia, atingindo gente pobre. Contudo, o mundinho classe média foi agora tocado.
Os bares e restaurantes são o refúgio de entretenimento de todas as classes sociais. Não temos praia, não temos cachoeira, não temos rios com apelo turístico. Para espairecer, vamos tomar uma sentados na calçada, vamos comer algo diferente em algum ponto de Goiânia. Nos bairros mais pobres, acontece todo tipo de absurdo nesse ambiente de socialização. Diariamente. Estava cômodo quando esse problema era localizado.
É claro que a bandidagem iria perceber que esses estabelecimentos comerciais de faixa social mais elevada eram um campo interessante de ação. Até mesmo por conta dessa prática já ser tristemente corriqueira em São Paulo. Isso iria chegar aqui uma hora ou outra. Pois é, chegou. E obrigou o poder público a mostrar trabalho. Já identificaram os autores dessa última sequência de arrastões.
Há tempos que os índices de violência em nosso Estado ganham peso dramático, carregados em vermelho do sangue das vítimas. Falavam que o problema era a ausência da Rotam nas ruas. A tropa voltou e os números não melhoraram. Falavam que o problema era a cor da farda. A roupa para a cor da do Darth Vader e nada. Ou seja, a solução passa por um caminho muito mais complexo e tortuoso do que o simplismo que o jornalismo mundo cão supõe.
Não existe fim da violência sem justiça social e redução das desigualdades. Parece papinho de comuna barbudo de Centro Acadêmico (o que eu já fui um dia), mas é bem por aí mesmo. Olhando os números de outros países, percebe-se que as nações com índices mais amenos de criminalidade contam com uma distância menor entre a classe mais rica e a mais pobre, com uma ampla classe média. Se não encararmos essa mudança como prioritária, vamos ter que ficar cada vez mais isolados, dentro de nossos lares. Isto é, até o ladrão invadir nossa casa em condomínios fechados e devastar também esse território de tranquilidade.