Goiânia – Ontem dei um rolê geral no shopping comprando presentes para as crianças de minha vida que amo. Entrando em livrarias, lojas de brinquedos, de roupas infantis e tudo que faz parte desse universo, me lembrei de quando eu estava na idade em que a expectativa pelo Dia das Crianças era a mesma da que eu tinha pelo Natal ou meu aniversário. Eu ficava sonhando com o que ganharia, com os presentes, com os brinquedos…
Nada era mais fascinante do que entrar na seção de brinquedos das Lojas Americanas e ficar vendo aquele mundo encantado e colorido. Eu me perdia nos corredores e nem percebia. Por outro lado, meus pais percebiam. E se desesperavam. Volte e meia eu era brutalmente acordado do meu sonho de olhos abertos com os gritos deles pela loja: “Pablo! Pablo!”. E eu saía daquele paraíso para ouvir um sapo deles dizendo que não era para eu me distanciar, que eles estavam preocupados, que caso eu fizesse aquilo novamente não ganharia presente e todo aquele papo que só os pais sabem como deixar o filho resignado. Obviamente aprendi o texto e o tom certo dessa palestra e a replico para minhas filhas sempre que necessário.
Mas, como diz Cazuza, o tempo não para. E chega a hora em que você não ganha mais presentes no Dia das Crianças. A pré-adolescência é uma fase engraçadíssima. Você força a barra para aparentar uma idade superior a que realmente tem, mas quando chega outubro nutre a esperança de ser lembrado como criança pela família. Quando eu tinha 12 anos, já desfilava orgulhoso com minha camiseta suja do Guns n’ Roses pela cidade. Me sentia o roqueiro adolescente, deixando o cabelo crescer. Mas quando o mês de outubro chegou, não tive vergonha de pedir para minha avó uma camiseta dos Simpsons que vi na vitrine da Green House no Centro. Foi meu último presente de Dia das Crianças. No ano seguinte, ainda tive esperanças, mas elas foram frustradas.
Já há alguns anos, vivo o outro lado dessa data: a parte de quem gasta dinheiro. Fora a dor no bolso, até que o Dia das Crianças é divertido. Um feriadão em que compartilho com a prole o prazer de abrir um presente, o deslumbre, a empolgação de conhecer aquele novo objeto, a brincadeira por alguns dias e o esquecimento do mesmo no baú junto aos demais brinquedos. É o inexorável trajeto da vida. O legal para mim, é que dá para novamente sentir aquele clima dos outubros que não voltam mais. Nostalgia sim, mas quem também não bebe desse copo? Então, feliz Dia das Crianças para você que deixou de ser criança há décadas como eu.