Goiânia – Recentemente, jornais e revistas publicaram uma pesquisa constatando que os homens só amadurecem aos 54 anos de idade. O estudo do Centro Crown Clinic, em Manchester, realizado com mil voluntários, justificou que somente após cinquenta e quatro primaveras é que os homens se sentem “seguros e resolvidos” para aproveitar a vida. Li a notícia numa noite, soltei aquela boa gargalhada e constatei: então é isso, está explicado. No outro dia, voltei ao texto alimentando a esperança de que aquilo não era sério e havia sido veiculado por algum site humorístico.
Reli e era tudo verdade, apesar de cômico. Cômico porque, em primeiro lugar, a precisão numérica não poderia passar despercebida. Segundo a pesquisa, a idade libertadora é conquistada não aos 45, 50 ou 52, mas aos exatos cin-quen-ta-e-qua-tro anos de idade. Haja paciência para aguardar tantos anos e meses e dias. Em segundo lugar, ainda estou refletindo se é mais reconfortante rir de tristeza ou chorar de desespero da argumentação masculina relacionada à segurança e aceitação pessoal.
É preocupante e desanimador constatar que a maioria dos homens precisa estar “segura e resolvida” para encarar a vida de maneira mais honesta. Talvez essa pesquisa explique o crônico descontentamento feminino com atitudes geralmente padronizadas entre o universo varonil. Talvez nos elucide o porquê de falhas tão imaturas, amadoras e, geralmente, injustas serem recorrentes.
O cara vingativo por insegurança, que te pune quando você faz algo inofensivo, mas que por alguma vertente machista o desagrada. Ou aquele espertalhão que vive mantendo conversinhas escondidas com uma porção de garotas, jurando que você nunca sacou o joguinho. Ou o rapaz possessivo que passa o namoro inteiro com ciúmes dos seus amigos e familiares, estampando um bico nada bonito a cada vez que você os encontra sem a presença dele. Há também o homem egoísta, que nunca se atenta a demonstrações de romantismo e sequer cogita organizar uma viagem surpresa ou um jantar a dois para te agradar. Ou o namorado que só se lembra de te dar flores quando a intenção é compensar uma grande e inacreditável falha cometida.
Há tantos outros tipos de homens negativamente clichês, que mantenho minhas dúvidas se alguma mulher nessa vida ainda não os conheceu. Certamente, sim, você já saiu com um cara aparentemente gente boa, quis transar com ele no primeiro encontro e, então, fim da história. A criatura nunca mais te ligou. Provavelmente, você também já foi vítima de cantadas e indiretas de algum homem casado, daqueles que carregam tranquilamente uma aliança 24 quilates no dedo. Ou teve que repensar o que estava fazendo da vida após passar um bom tempo aturando o cara folgado preso à barra da saia da mãe, que tentava transferir a você o papel materno, e era incapaz de lavar um copo sujo na sua casa. Importante também não se esquecer do típico homem inseguro que projeta no carro a afirmação de sua (frágil) masculinidade. Troféu joinha a todos.
Postura social aparentemente fácil para os homens, nós que gostamos de pelos e mãos grossas somos as principais vítimas do amadurecimento cinquentenário. Passamos a vida buscando encontrar pessoas bacanas que não nos decepcionem por motivos banais depois do terceiro encontro. Ou que, após conquistar nossa confiança, não nos surpreendam com alguma palhaçada extraordinária. Mas não é isso que costumamos encontrar por aí. Salvo raras exceções que nos exemplificam alguns conhecidos, amigos e namorados ou maridos de amigas, a realidade tem nos oferecido uma prateleira recheada de produtos com defeito de fábrica.
O estudo do Centro Crown Clinic ao menos nos esclarece que os homens não pertencem a nenhum grupo secreto, no qual são domesticados a seguir uma cartilha contendo instruções normativas sacanas para machucar as mulheres. No entanto, não nos reconforta saber que teremos que lidar por muito tempo com mentes adolescentes parasitando corpos adultos. Acaba sendo, infelizmente, uma disputa de xadrez e, como tal, exige-nos muita paciência e sangue frio. Em contrapartida, agora sabemos que estamos no tabuleiro.
Aos homens que não pretendem esperar os 54 anos de idade e por alguma razão divina querem nadar contra a corrente, recomendo alguns pontos essenciais para um bom entendimento conosco:
1- Mulheres não são putas por quererem transar no primeiro encontro ou quando bem entendem. Tesão não é um estado de excitação exclusivamente masculino. Todos temos libido.
2- Não se julgue mais esperto por ser homem. Geralmente, a inteligência feminina está em se fazer de desentendida para lidar melhor com a situação.
3- Não projete na mulher o papel da sua mãe. Sua namorada ou esposa não tem obrigação nenhuma de fazer seu jantar, lavar a louça que você suja ou colocar a cerveja para gelar.
4- Não se esqueça do romantismo, isso é algo que ela sempre espera de você. Vez ou outra, use a criatividade e a surpreenda com um ato de carinho. Nem que seja apenas levá-la a um restaurante novo – nesse caso, por favor, pague a conta inteira. De vez em quando é bom não dividir.
5- Não seja possessivo. Estar junto é uma escolha e, se ela está com você, acredite: ela gosta da sua companhia. Ciúmes só demonstram insegurança. É um problema que você deve lidar internamente, sem transferi-lo a terceiros.
6- Trate-nos como seres humanos iguais. Permita que sejamos livres para sermos quem quisermos ser. Para xingar, falar alto e dançar até cair no chão. Ou tomar uma bebida sozinha no balcão do bar. Respeite nossa liberdade de existência.