Dois episódios lamentáveis aconteceram na última semana em Goiânia. Duas mortes brutais, bárbaras e totalmente evitáveis que nos fazem refletir sobre o quanto a gente morre de graça. Sabemos que a vida é curta, que o tropeção idiota com a cabeça no meio fio pode nos tirar daqui, que a gente devia trabalhar menos e aproveitar mais, que nossa morte é inevitável e tudo mais. Sabendo de que não há escapatória, todos queremos morrer sem sofrimento, velhinhos e com a sensação de dever cumprido, com um belo legado, família unida e tudo em dia. Só que aqui é a vida real e o cheiro que emana dela nem sempre é agradável.
As perdas do jornalista Valério Luiz e do advogado Davi Sebba são de embrulhar o estômago. De deixar você triste por ter filhos. De pensar se foi mesmo uma boa ideia colocar alguém que você ama tanto na rua. O sonho de construir um ambiente saudável para sua prole, um mundo um pouquinho melhor daquele que você recebeu, vai para o saco. A sensação de impotência é gigante. A descrença, sem tamanho. A vontade de jogar tudo para o alto, indescritível.
Só quem não tem coração para não se emocionar com as imagens do pai Mané de Oliveira desesperado ao lado do carro do filho. Só quem não tem alma para não se indignar ao ver as fotos de Davi todo sorridente ao lado da esposa gestante. A vontade é de sair dessa loucura de mundo, deixar tudo para trás e ir para o mato, pegar as uvas no cacho. Qual a razão de viver esse corre louco se, sem mais e sem menos, você toma um tiro e tudo fica para trás? Não tem o menor sentido.
O que esperamos da polícia é celeridade. Não dá para deixar executor e mandante do crime de Valério soltos na rua. É questão de honra para a polícia goiana colocar em cana os responsáveis por tamanha desgraça. Assim como esperamos punição exemplar para quem baleou um pai de família no estacionamento do supermercado. Essa história de arma e tráfico de drogas não cola nem a pau. A pequena porção de maconha encontrada dias depois no local do crime não explica nada. Na verdade, só constrange ainda mais a corporação. E mesmo que Davi estivesse vendendo maconha, o que duvido muito, não teria justificativa para chegar atirando. Um cara pago pela sociedade não pode ser tão despreparado assim com uma arma na mão. Que lástima!
Meus sinceros sentimentos às duas famílias que foram brutalmente tolhidas do convívio com seus entes queridos. Qualquer um de nós poderia ter sido vítima de violência assim. Que os exemplos de Valério e Davi sirvam para que situações assim não se repitam jamais.