Nádia Junqueira
Inaugurar espaços culturais inacabados aos 45 do segundo tempo, passar a bola para outra gestão, que então vai decidir se a construção ou reforma vai adiante, ou não, se o espaço entra em funcionamento, ou não. Encaixando essa situação em 2007, estamos falando do Centro Cultural Oscar Niemeyer. Mas contextualizando em 2011, nos referimos ao Teatro Goiânia. Fechado para reforma desde agosto de 2009, o Teatro chegou a receber festa de reinauguração ao fim da gestão do ex-governador Alcides Rodrigues. Mas não ficou pronto. Logo depois do evento, em dezembro de 2010, foi fechado para reforma novamente. A nova gestão de Marconi Perillo reassumiu as obras somente em junho e a Agência de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel), responsável pelo espaço, estipula que até fim de setembro as portas do teatro reabrirão, mas a data é imprecisa.
No dia 27 de dezembro de 2010, uma apresentação de gala da Orquestra de Câmara Goyazes, para convidados, marcou a reinauguração do teatro. O engenheiro e proprietário da Marsou, empresa responsável pela obra, Vicente Souto Junior, conta que a parte dos camarins não estava pronta, bem como os banheiros internos, pintura e não havia nada de iluminação e revestimento de palco. “Na época isso teve de ser locado. Alertamos isso para o governador. Mas dava para as pessoas serem recebidas”. Ivete Oliveira foi uma das convidadas para o evento naquela noite e afirma que estava ótimo, só os banheiros não estavam prontos. Por outro lado, Vicente Souto afirma que o teatro não poderia ser reaberto naquele ano “de maneira alguma”.
Atual diretor de obras da Agepel, José Rodrigues alega que quando assumiram a gestão havia pagamentos atrasados para Marsou e tiveram que se estruturar financeiramente para retomar a reforma. Ele afirma que não poderiam reabrir o teatro porque a empreiteira ainda não tinha entregue a obra. A diretora de ação cultural da gestão passada, Tânia Bastos, reforçou a fala de Vicente: os camarins, banheiros e iluminação não estavam prontos. No entanto, ela defende que era possível realizar tal apresentação. Para Tânia, é natural que a atual gestão tenha fechado o teatro novamente para reforma, porque a obra não estava concluída.
Valores
O Teatro Goiânia integra a Vila Cultural, projeto que visa revitalizar o centro histórico de Goiânia. O governo federal, por meio do Ministério do Turismo, viabilizou R$6,5 milhões para construção da obra. Para que a GoiásTur ainda tivesse acesso a esse recurso, a construção não poderia tardar a ser retomada. Do contrário, perderiam a verba. Dessa forma, somente em junho a esquina da Avenida Tocantins com Anhanguera voltou a ter movimento de obras. Consequentemente, o Teatro Goiânia voltou a ser reformado, que também conta com investimentos federais.
De acordo com o proprietário da Marsou, estimava-se dispensar, inicialmente, R$1 milhão e 800 mil com as obras de revitalização do Teatro. No entanto, o engenheiro não soube responder qual o valor final da obra. Previa-se retomar o antigo fosso da orquestra, ampliar o palco e torná-lo móvel, modernizar e reformar os sistemas de som e iluminação, criar uma saída de emergência e fazer intervenções para promover acessibilidade aos portadores de necessidades especiais.
Porém, Vicente Souto Junior diz que, no decorrer da reforma, outros problemas foram identificados, o que adiou a previsão de conclusão da obra, bem como lhe elevou o preço. Por exemplo, ao interfirirem no telhado da construção, descobriram que o forro estava completamente danificado. A parte elétrica também foi uma desagradável surpresa, que estava comprometida. Por outro lado, apesar da obra ficar mais cara para o governo estadual, o Ministério do Turismo viabilizou recursos para reforma do forro, iluminação cênica e troca de poltronas.
Inauguração
Para a inauguração, ainda está sob estudo como a obra será entregue ao público. É o que diz o diretor de Ação Cultural da Agepel, Décio Coutinho. Ele também afirma que, até a abertura oficial das portas do teatro, a pauta estará fechada. “Estamos agendando algumas demandas que foram oficializadas para a Agepel, mas na condição de pré-reservas a serem confirmadas posteriormente”, afirma. Ele garante, ainda, que o valor do aluguel será o mesmo fixado antes da reforma: R$1.600.
Décio Coutinho afirma, ainda, que a proposta dessa gestão é que o Teatro Goiânia seja um ambiente de convergência que privilegie a diversidade cultural, funcionando como plataforma de transformação social. “A política de ocupação leva em consideração o valor simbólico e a história do espaço que é o Teatro Goiânia para nosso Estado, aliado às características técnicas que lá se oferece”.No