Roberta Rodrigues e Adriana Marinelli
Goiânia – Um encontro entre a secretária de Economia, Cristiane Schmidt, e representantes dos Sindicatos das Indústrias e empresários foi realizado nesta quinta-feira (28/2) com o objetivo de aproximar o setor produtivo do governo do Estado. Durante a reunião, realizada na Casa da Indústria, em Goiânia, a auxiliar do governo Ronaldo Caiado ouviu as pautas mais urgentes de cada segmento industrial.
Vice-presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), André Rocha, foi quem deu as boas vindas à secretária e falou da importância da parceria do Estado com o setor produtivo para garantir o desenvolvimento do Estado. "Queremos que as empresas tenham competitividade e que o governo ofereça, na medida do possível, políticas públicas que garantam essa competitividade ou que, pelo menos, não deixem que essa competitividade diminua", disse. "Sabemos que um dos grandes desafios do Estado é aumentar os empregos e nós temos essa capacidade [de geração de empregos] em vários setores", acrescentou.
A necessidade de se restabelecer a segurança jurídica, principalmente considerando a convalidação dos incentivos fiscais concedidos às indústrias que investiram em Goiás, foi um dos pontos apresentados à secretária. Para a Fieg, a discussão é fundamental para que as empresas retomem a confiança e o ritmo de investimentos no Estado.
O presidente da Fieg, Sandro Mabel, vê como um equívoco o rompimento do acordo com as indústrias que se instalaram no Estado. "O empresário também tem uma série de contas à pagar. No balanço contábil das indústrias, o incentivo não vai para o bolso de ninguém. Ele serve para investimentos, para viabilizar que o produto que é feito em Goiás tenha competitividade frente ao que é produzido em outros Estados", observou Sandro Mabel.
Na reunião, a secretária Cristiane Schmidt apresentou dados gerais que mostram as dificuldades fiscais de Goiás. Atualmente, 97% do tesouro estadual é comprometido com o pagamento da folha dos servidores e de dívidas e precatórios. Para Schmidt, é fundamental que o Estado adote uma postura mais estratégica para conter o déficit, inclusive com redução da máquina pública.
"Hoje o caixa do Estado é para pagar funcionalismo e dívidas. Precisamos ter margem para fazer políticas públicas. Queremos sentar junto com o setor produtivo para ver como é possível contribuir nesse sentido. Identificar onde tem gordura nos incentivos para que possamos ampliar a base de arrecadação do Estado", pontuou. A secretária reiterou que Goiás não é uma terra arrasada, mas que hoje vive um momento fiscal extremamente difícil, e afirmou estar aberta para o diálogo e para trabalhar de mãos dadas com o setor produtivo.
Na oportunidade, o presidente Sandro Mabel apresentou à gestora dados levantados pela área técnica da Federação que indicam que o Estado deixa de arrecadar quase R$ 1 bilhão ao ano devido à ausência de uma política de incentivo à industrialização dos grãos produzidos no Estado. Segundo o presidente da Fieg, o Mato Grosso do Sul já trabalha com sucesso nesse sentido, ao estimular que 50% da produção local seja industrializada no Estado.
"O modelo gera aumento na arrecadação de impostos e, principalmente, divisas de cerca de R$ 400 milhões pagos em salários nos novos empregos gerados. É bom para o Estado, para o comércio, para a indústria e, sobretudo, para a população", constatou Sandro Mabel.