Outra vez, lendo uma entrevista dele, o jornalista perguntou sobre determinada música de seu disco que estava sendo lançado. Segundo o repórter, o samba não estava à altura dos demais sons do álbum. Zeca concordou: “Você está certo. Eu também não gostei. Mas considero demais o cara que compôs e ele está precisando de grana. Com o dinheiro que ele pode ganhar do Ecad com um samba que gravei, já garante um remédio para a família dele, compra um botijão de gás… Mas falei para ele vir com música boa da próxima vez que não vou mais gravar porcaria não”. Mostrou que tem coração bom.
A foto da capa da Folha de São Paulo de ontem comprova a índole do bem do cara. Montado em um quadriciclo, ele circulava desolado pelas ruas do Xerém, distrito de Duque de Caxias na Baixada Fluminense. A região foi uma das mais afetadas pelas trágicas chuvas que todo primeiro mês do ano castigam o estado do Rio de Janeiro. São mil pessoas que precisaram ser retiradas de suas casas pelo risco iminente e 250 que perderam tudo na região onde o artista foi criado, segundo informa o jornal paulistano.
Zeca não se ausentou no momento difícil. Colocou para morar dentro de sua casa uma família que perdeu tudo, começou a distribuir cestas básicas para as pessoas que estão alojadas na igreja do Xerém, foi para a imprensa criticar o descaso público pelo distrito – há três meses que não tem coleta de lixo no local, desde que o ex-prefeito perdeu nas urnas o segundo mandato que pleiteava. Uma baita postura cidadã, de um artista que sabe que sua notoriedade pode chamar atenção e, quem sabe, minimizar a dor daquelas pessoas.
Aí deixo com você, nobre leitor, a seguinte pergunta: seria melhor ele pagar de bom moço no Faustão fazendo o discurso careta do politicamente correto e virar as costas para as pessoas do seu bairro de origem, ou beber e fumar em rede nacional e adotar as atitudes que adotou. Eu vou na segunda opção sem medo de errar.