Yuri Lopes
Sempre que alguma produção ou artista do Brasil é indicado ao Oscar o prêmio chega perto, mas sempre é entregue em mãos alheias. Existe uma possibilidade, mesmo que ainda distante, de o primeiro Oscar brasileiro ser de um goiano. O animador Ricardo de Podestá dirigiu o curta-metragem Destimação, que concorre no Anima Mundi, no Rio e em São Paulo. O principal festival de animação do mundo vai indicar a peça vencedora ao prêmio máximo do cinema norte-americano.
Ricardo ressalta que a simples indicação não significa obrigatoriamente que o filme irá concorrer com os escolhidos pelos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Mas também pode ser que seja. Para o animador, a simples possibilidade de um curta brasileiro representar o país no Oscar já é algo a ser comemorado. “Qualquer um dos curtas que for indicado representará bem o Brasil na lista dos concorrentes”, diz.
O curta de Ricardo trata da relação de uma criança com a cidade grande. Sem mãe e com o pai ocupado, o menino encontra em um papagaio a companhia que precisa para suprir a carência. O diretor, que nasceu em Anápolis e mora em Goiânia desde pequeno, diz que, mesmo tendo vivido sempre em cidades grandes, a obra não tem nada de autobiográfica. “Talvez a única coincidência seja o fato de que eu tive um papagaio quando era criança, mas também tive um cachorro”, conta.
Veja o teaser de Destimação.
Ricardo comenta o motivo por ter escolhido a amizade e companheirismo como temas de seu curta. “Quanto maior a cidade em que vivemos, também maior é a solidão. Apesar de estarmos sempre em multidões, somos muito carentes nas cidades grandes”, analisa. Outros assuntos abordados nos 13 minutos do curta são o tráfico de animais e bichos de estimação.
Modo de fazer
Ricardo de Podestá explica que o processo de se fazer animação ainda é muito demorado, seja para captação de recursos para a realização do trabalho, seja para transformar as ideias em imagens, movimentos e cores. “Todo o processo é caro, demorado e difícil. Às vezes demora mais de um ano para se concluir uma animação”, declara. Ricardo é sócio com outros três sócios da Mandra Filmes, criada logo depois que Ricardo concluiu o curso de Rádio e TV pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

Cena do curta goiano Destimação, de Ricardo de Podestá (Foto: reprodução)
Outro problema apontado pelo autor de Destimação é a demora no processo das leis de incentivo à cultura. O filme foi produzido com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e complementação de recursos da Lei Goyazes, a lei estadual de incentivo à projetos culturais.
Do roteiro inicial de Destimação até o lançamento, foram mais de três anos, segundo o diretor.
Em breve
Enquanto comemora a participação de um curta no Anima Mundi e a possibilidade de ser indicado ao Oscar, Ricardo já trabalha em outros dois projetos. “Estamos pensando em fazer um longa sobre a cantora folclorista goiana Eli Camargo, mas ainda não temos data de lançamento” adianta. O filme será produzido com recursos da Lei Goyazes.

Solidão causada pelas grandes cidades é um dos temas de Destimação (Foto: reprodução)
Outro projeto que ainda está apenas no papel é o curta A Caça, que foi aprovado através de edital do Ministério da Cultura (MinC). Ricardo conta que o filme será uma história de terror e suspense, voltada para o público adulto e será ambientado em uma área campestre.
Estão acostumados
Esta é quinta vez que a Mandra Filmes participa do Anima Mundi. Desde 2003 seus curtas são exibidos no festival. O primeiro foi Carne Seca (2003), logo em seguida, Filme Ilhado (2004), Peixe Frito (2005) e Rupestre (2010).
O estúdio de animação goiano já produziu sete curtas de animação, um documentário sobre o Katteca (cartunista goiano), um piloto para série de TV em animação entre outras produções para publicidade, teatro, vídeos institucionais e curtas co-produzidos. Em 2011 a produtora recebeu o prêmio de melhor filme goiano do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), com o curta TamanduAbandeira.