Confesso que estou me surpreendendo com a performance do deputado federal Romário (PSB-RJ). Não botava fé nenhuma em sua atuação parlamentar. Achava que ele seria mais um que se perderia nos corredores do Congresso Nacional, sem saber muito bem o que fazer por ali. Outro deputado celebridade sem discurso para sustentar na complexa logística do poder de Brasília. Puro preconceito. Romário está mostrando a mesma desenvoltura no mundo dos engravatados do que a que tinha entre zagueiros dentro na pequena área.
Romário foi o sexto deputado mais bem votado do Rio de Janeiro. Foram 146 mil votos, ou seja, 146 vezes mais que os gols marcados dentro de campo. E sonha com a prefeitura da capital fluminense conforme afirmou em entrevista concedida essa semana ao jornal Folha de São Paulo. Com essa atuação parlamentar de destaque, esse não é um sonho utópico. Se ele conseguir se viabilizar internamente no partido e dentro da coligação carioca que dá apoio ao governo Dilma, tem tudo para encarar essa briga de igual por igual com os cachorros grandes do local.
O craque que já atuou pelo Vasco da Gama, PSV, Barcelona, Flamengo e Fluminense está se destacando por conta da defesa da moralidade na organização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. E não poupa ferroadas no presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o todo-poderoso Ricardo Teixeira. Na entrevista de que falei acima, Romário defendeu a intervenção do governo federal na entidade que controla o futebol brasileiro. E está farto de argumentos para fazer essa defesa.
Em um país onde a regra comum é o jogador baixar a cabeça para os dirigentes que nunca chutaram uma bola na vida, dá orgulho ver o papel exercido por Romário, na contramão do senso comum. Enquanto Ronaldo se juntou ao poder e vai ser funcionário de Teixeira, Romário pegou o caminho oposto e se transformou na principal voz de questionamento dos desmandos do presidente da CBF. Até fora de campo Romário comprova sua superioridade perante Ronaldo.
Além disso, Romário também assumiu como bandeira parlamentar a defesa dos direitos dos portadores de síndrome de Down. Ele é pai de uma garota que possui o mal e sabe de todas as dificuldades que família encontra para promover a inclusão social do portador. A dor sentida na própria carne fez com que ele tivesse sensibilidade para encarar essa luta e se tornar a principal referência no Congresso no assunto. Outro ponto para o político Romário.
Com essa atuação de destaque para um deputado de primeiro mandato, só nos resta torcer para que essa postura pública assumida por Romário continue por mais mandatos. E se todos os políticos celebridades tivessem o mesmo perfil do baixinho, nossos parlamentos não estariam tão carentes de inteligência e atitude como atualmente estão.