A Redação
Goiânia – Tempo quente e úmido, associado a ambientes entulhados e escuros é a mistura perfeita para a proliferação de animais peçonhentos. Todo cuidado é pouco com os acidentes envolvendo escorpiões, que somam este ano 4004 casos em Goiás, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Apenas em novembro, já são 223.
Os números de ocorrências são registrados nos municípios e repassados ao Sinam, não necessariamente na data em que ocorreram, conforme explica a analista em saúde do Centro de Informações Toxicológicas da Secretaria da Saúde de Goiás (CIT/SES-GO), Veruska Castilho. Ela também explica que podem ocorrer alterações futuras na totalização, pois casos relatados inicialmente pelos municípios como acidente escorpiônico podem deixar de configurar como tal. “A mãe pode informar que a criança foi picada por escorpião, mas depois descobre-se que o acidente ocorreu com um roedor”, exemplifica a analista da SES-GO.
Ocorrências e atendimento
Apenas em Goiânia, até outubro, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), referência no atendimento aos acidentes escorpiônicos, notificou 165 casos. Um deles ficou marcado pelo atendimento e pela resistência do paciente, apesar de seus 7 anos de idade. Em 10 de fevereiro, Pedro Miguel Silva deu entrada na unidade da SES-GO em estado gravíssimo. A criança foi picada duas vezes por um escorpião, em Trindade.
Entre o acidente e a aplicação do soro antiescorpiônico no menino se passaram duas horas. Até chegar ao HDT, foi mais uma hora de desespero para a família. A criança entrou no hospital com edema agudo no pulmão e bloqueio grave no coração. Após nove dias internado na UTI, o menino foi levado para a enfermaria do hospital e poucos dias depois, ganhou alta.
Pedro Miguel faz parte de um grupo mais sensível a esse tipo de acidente, juntamente com os idosos, pela fragilidade. No entanto, a maioria dos casos ocorre em adultos entre 20 e 59 anos. Para todas as vítimas, a orientação é procurar rapidamente uma unidade de saúde, que fará os primeiros procedimentos no paciente e avaliará a necessidade de soro. Em caso positivo, o paciente é encaminhado a uma das unidades de referência na aplicação dos soros antiveneno, distribuídos às regionais pela Rede de Frios da SES-GO.
O CIT, por sua vez, também é responsável pelo teleatendimento a profissionais da assistência no Estado e à população em geral, esclarecendo sobre acidentes com escorpiões e outros animais peçonhentos, intoxicações e envenenamentos. Os telefones, gratuitos e 24 horas, são o 0800.646.4350 ou 0800.722.6001. Tais informações incluem ainda a principal arma contra os acidentes: a prevenção, que exige cuidados importantes (veja nas recomendações abaixo).
Confira dicas de como agir em caso de acidente envolvendo escorpiões:
Medidas preventivas:
Animais peçonhentos envolvem cuidados com os chamados “4 As” – acesso, abrigo, alimento e água, que devem ser observados para evitar os criadouros.
Acesso:
– Vedar frestas de portas, janelas, tapar buracos ou rachaduras em paredes, vedar ralos de banheiros, pias e tanques.
Abrigo:
– Manter a casa e a áreas ao redor limpas.
– Examinar calçados, roupas pessoais, de cama e banho antes de usá-los, e não deixar pendurados em paredes ou em contato com o chão. Bater os sapatos no chão, para evitar a surpresa de ser picado por escorpiões, aranhas, lacraias etc.
– Escorpiões gostam de viver em ambientes escuros e úmidos (caixas de gorduras, tubulações etc).
– Não colocar a mão em buracos, e sempre utilizar botas e luvas de couro ou de raspa ao adentrar em locais de matas.
Alimento:
– Os animais peçonhentos vão aonde existe lixo, ou seja, focos de alimento para eles (baratas, grilos, gafanhotos, celeiros – grãos – ratos – cobras).
– Caso encontre também serpentes em áreas urbanas, recomendamos ligar para o corpo de bombeiros fazer a captura o animal.
Água:
– Algumas serpentes podem ser encontradas em locais próximos a riachos (jararacas), outras preferem se esconderem em buracos e folhagens e troncos de árvores.
– Se encontrar algum tipo de cobra ou escorpião, é preciso informar à secretaria de Saúde do município onde mora.
O que fazer ao ser picado:
– Lavar o local da picada com água e sabão
– Retirar anéis, pulseiras ou qualquer adorno que possa comprimir o local em caso de inchaço do membro acometido.
– Elevar o membro afetado
– procurar imediatamente um serviço de saúde
– Se não houver comprometimento do tempo para levar a vítima ao serviço de saúde, tirar uma foto do animal para auxiliar o profissional de saúde que atenderá a vítima a identificar o animal.
O que não fazer se for picado:
– Não cortar, furar, sugar, nem amarrar o local da picada (pode comprometer a circulação local, causa infecção e até levar à amputação do membro atingido)
– Não colocar no local da picada qualquer produto, como folhas, fumo etc.
– Não dar nada para a vítima beber, para não atrapalhar no diagnóstico correto e não causar mais danos.