Goiânia – Minha família viajou de férias e fiquei sozinho em casa por dez dias. Pode parecer pouco para esse mundo onde cada vez mais gente opta pela carreira solo quando o assunto é domicílio. E de fato é. Mas não para mim. Isso é fato inédito em minha vida.
Toda casa que morei sempre foi cheia. Nunca tive a oportunidade de viver sozinho. Na infância, morei com meus pais e minha irmã. Quando eles se mudaram para o interior, fui para a casa de meus avós – até hoje, minha segunda casa. Só saí de lá quando casei, dividindo o novo lar com minha mulher.
Ou seja, tenho um baita déficit ao longo desses 35 anos de ficar sozinho em casa. Tanto é que esses dez dias que terminam hoje são recorde em minha vida – nunca havia ficado um período tão longo sem ninguém em casa.
Cá entre nós, o que só reforça a tese de que minha vida é de uma bundamolice sem tamanho e de baixíssimo índice de grandes emoções.
Como resultado final desse período de solidão, contabilizei:
– um galinheiro com poleiro e tudo mais organizado;
– uma laje pintada com impermeabilizante para encarar o período das chuvas que se aproxima;
– uma horta reestruturada;
– equipamentos de ginástica com manutenção feita;
– uma rastelada geral no quintal;
– duas receitas novas testadas, aprovadas e que foram requentadas em várias refeições consecutivas;
– três pizzas grandes comidas no café da manhã, almoço e janta sem pensar em #verãopravidatoda;
– duas derrotas do Goiás;
– uma vitória e uma derrota do Flamengo;
– três filmes assistidos;
– mais de 30 LPs ouvidos e catalogados;
– três revistas, um livro e quatro gibis lidos;
– um litro de cachaça que virou um sensacional drink de maracujá e fez a alegria do dono de casa;
– quatro garrafas de vinho;
– três idas à distribuidora para repor o estoque de cerveja.
Preciso dizer o quanto fui feliz no período? É inegável que a saudade já bateu e a vontade de abraçar as amadas agora é grande. Mas não é má ideia estipular uma viagem semestral para cada um do casal levar as filhas e deixar que o outro possa curtir no mínimo uma semaninha de sossego em casa.
Se o projeto vingar, sou o próximo a fazer as malas e deixar a casa livre. Sou brasileiro e funciono na base do é dando que se recebe. Pois agora é minha vez de ser o garçom e oferecer paz a esposa. Já vou procurar um destino para ir com as meninas.