Acabo de chegar de viagem dos Estados Unidos. Enquanto sobrevoava Goiânia, pensava ainda que teria de ir até São Paulo para fazer a conexão, sempre com algum transtorno. Quem é de Brasília, Belo Horizonte ou Rio, não precisa passar por isso. Afinal, suas cidades têm aeroportos internacionais.
Depois de mais mais cinco horas entre desembarque internacional e reembarque, consigo finalmente chegar a Goiânia. Mas aquele que era para ser um dos momentos mais felizes, o retorno à minha cidade, acabou se tornando motivo de tristeza. Afinal, cheguei pelo Aeroporto Santa Genoveva, o nosso pior cartão de visitas.
O quadro era dantesco. Multidões acotovelavam-se na disputa para chegar à esteira de bagagens. No desembarque, outra multidão bloqueava a saída dos passageiros. No saguão, idosos e mulheres grávidas ou com crianças de colo aguardavam de pé. Não há cadeiras nem educação suficiente para acomodá-los.
O carro que me aguardava ficou preso no engarrafamento do estacionamento. Só consegui deixar o Santa Genoveva uma hora depois de meu avião ter chegado. Um absurdo gigantesco.
O interessante é que todos políticos de todos partidos concordam que o aeroporto está uma vergonha, e são unânimes ao afirmar que estão empenhados em resolver esta questão. Inclusive o atual governo usa um slogan muito interessante: Se é bom para Goiás, é bom para o Brasil. Sugiro a todos os chefiados pelo governador que aproveitem este momento.
A equipe do governo pode chamar a atenção do Brasil e do mundo mostrando que em Goiás realmente existem homens públicos em condições de chefiar a nação.
É hora de resgatar a identidade dos goianos fazendo do nosso novo aeroporto um cartão de visitas. Com a cessão de area da Embrapa, será possível ampliar a pista, para que tenhamos uma pista internacional e uma passarela sobre a BR-153.
Para isso, também é preciso que tenhamos um pátio compatível com o de um aeroporto internacional. Assim teríamos condições de inserir Goiás no cenário exterior com o turismo, comércio e cidadania.
Acredito que, desta forma, teremos um político em condições de ser um chefe da nossa nação.
A última vez que Goiás foi brindado com projetos públicos de dimensão internacional foi ainda no governo Leonino Caiado, quando foram erguidos o Estádio Serra Dourada e o Autódromo. E ele fez esas obras desiludido com a politica goiana.
Só com o esforço de todos os homens públicos em prol do Estado teremos condições de sermos respeitados nacional e internacionalmente. Sim, respeitados, porque perdemos a Copa do Mundo em Goiânia em grande parte porque nosso aeroporto é uma piada de mau gosto.
É hora de Goiás dar um salto. Do contrário, voltamos à política para reeleição. Goiás precisa de um estadista. E não temos momento melhor, porque o nosso aeroporto está parado. Podemos fazer deste limão uma bela limonada, a ser servida e mostrada ao Brasil.
Queremos ter o orgulho de dizer que temos políticos em condições de chefiar uma nação. Sem propaganda enganosa e autoelogios, porque isso hoje não cola mais e chega a ser ridículo.
Quando eu era adolescente, vivi no Texas e me orgulhava de dizer que meu Estado tinha autódromo e estádio internacionais. Depois disso, não surgiu mais nada.
Ah, Leonino. Como você faz falta. Como politico, foi o único a ter esta visão. Que saudades.
Leoardo Rizzo é empresário