Goiânia – Estávamos em um papo agradável. Seis pessoas jantando e falando sobre o futuro. Ideias surgindo, risos rolando, álcool subindo. Em dado momento, surgiu um assunto mais denso. Uma pessoa da mesa expôs uma situação íntima para lá de delicada e pediu sugestões de como agir. Conversa de bróder para bróder. Por tocar em tal tópico, mostrou que confia bastante nos presentes. Um da mesa levantou a mão e garantiu que tinha a solução. Disse que ele poderia fazer tal coisa, encaminhar outro item e, mais certo que Deus no céu, a questão estaria dirimida. Todos ficaram surpresos com a saída inegavelmente interessante. Segundo o dono da resposta, no dia seguinte tudo já estaria ok. Outro amigo pediu um brinde e a noite continuou.
Passada uma semana, o amigo detentor do problema me liga: “Cara, até hoje nada do fulano me entregar aquilo que prometeu. Você acha que eu ligo cobrando?”. Respondi que sim. Estávamos entre amigos muito próximos e não seria nenhuma descortesia. Ele telefonou. Passados mais três dias, ele me manda uma mensagem por uma rede social: “Até hoje nada…”. Entrei em campo e perguntei para o que estava em dívida se ele iria mesmo encaminhar a solução. De bate-pronto, respondeu que sim. Em poucos minutos, estaria tudo resolvido. Mais cinco dias e nada. O que estava sofrendo desistiu. Deu perdido e foi tentar outro tipo de resolução. Resultado: acabou para sempre a confiança no cara e se arrependeu de ter se aberto tanto para quem não merecia tamanha intimidade.
É impressionante alguém prometer algo que não irá cumprir. Por qual razão? O que a motiva? Vai saber… Não sei nem chutar. Ele não foi intimado a dar solução. Tinha a opção de deixar o assunto passar batido e ficar na dele. Mas não. Ele se dispôs a resolver a solução, mostrou o caminho das pedras, deu prazo para tudo. E pisou na bola. Magoou alguém que confiava nele. E caiu em descrédito perante todo o grupo. Como diz Rogério Skylab, qual o lucro obtido? Deixo com você tentar explicar, leitor.
Acho que a necessidade de se colocar como alguém que detém respostas, poderoso para ajudar quem necessita e que goza de reconhecimento em grupos é uma droga potente. Mais encorajadora que cocaína ou crack. Que gera mais dependência que tabaco ou heroína. E que provoca danos mais graves que a mistura de álcool e volante. Não dá para conviver com quem fala demais e não faz nada. É frustrante. E enerva.
Muito mais prudente é fazer ouvidos de mercador quando uma pessoa assim começa a prometer soluções. Deixe-a falar até espumar o canto da boca. Se a ajuda vier, beleza. Caso contrário, você não contava com isso mesmo. E lembre-se sempre do que a vovó dizia: “se quer algo bem feito, faça você mesmo”.