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Seguindo o estilo Steve Jobs

26.06.2014 - 17:48:52
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Goiânia – Uma das lendas sobre Steve Jobs, deliciosa como várias outras, diz que ele tinha o hábito de responder os e-mails enviados por usuários da Apple. Elogios, críticas, dúvidas, pedidos de suporte, qualquer questão era resolvida com apenas cinco linhas.

Não sei se a história é verídica, mas me parece que sim, combina com o estilo. É a cara da comunicação profissional moderna ir direto ao ponto, economizar o tempo do outro e o seu próprio. A comunicação eletrônica é instantânea e barata, não depende de logística nem de impressoras, e oferece segurança jurídica tanto quanto um documento impresso.

Uma aluna me disse que seu chefe exigia a impressão de todos os documentos e que, além do nome digitado, exigia que se batesse o carimbo da empresa e o dele. Isso é um resquício da burocracia que priorizava a atividade-meio em detrimento da atividade-fim, tipo de comportamento administrativo que infelizmente perdura até hoje em muitos lugares.

Um carimbo não garante a autenticidade de nada, pode ser feito em qualquer esquina. É o objeto sagrado da mentalidade cartorial. O documento fica sujo e repetitivo, em nome de uma segurança que pode ser garantida de outra forma.

Além da burocracia, há também a verborragia, mania de usar palavras demais para expressar coisas sem importância, e o arcaísmo, insistência no uso de palavras que já caíram em desuso. 

Um bom exemplo do primeiro caso foi dado por Max Gehringer, em seu programa na CBN, cujo título do dia foi Direito de complicar – o português corporativo.

Ele informa que quando se diz “esquematizar a agenda de atividades de maneira a criar um gap vital para o atendimento imediato às demandas biológicas essenciais”, em português normal isso seria tirar um cochilo depois do almoço.

Não cabem no nosso dia a dia palavras arcaicas como alcaide, outrossim, ceroula, quiçá, à guisa de. Ficam para a riqueza da literatura.
Com os documentos e textos empresariais acontece muito isto.

As pessoas têm receio de mudar um modelo, alterar uma palavra, fazer diferente do modo como aprenderam. Por isso nossas caixas de mensagem ainda não estão cheias de e-mails de cinco linhas. Porque gastamos espaço com coisas como:

“Venho por meio desta solicitar a Vossa Senhoria…” no lugar de um simples “Solicitamos”.

“Não tendo mais o que ser dito, encerro o presente com votos de profunda estima” em vez de “Atenciosamente”.

“Sem mais para o momento”, expressão totalmente inútil que pode ser deduzida com a simples conclusão do documento.

Simplifiquemos. Vamos admirar o que Rui Barbosa fez no tempo dele, e aproveitar o que Steve Jobs deixou de exemplo para o nosso.

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por Leticia Borges

*Leticia Borges é especialista em Língua Portuguesa, jornalista, professora e palestrante.

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