José Cácio Júnior
Há quase dois anos, durante convenção para decidir apoio ao então candidato ao governo do Estado, Marconi Perillo (PSDB), o senador Demóstenes Torres disse, aparentando emoção, disse que ainda realizaria o sonho de ver o DEM governar o Estado. Hoje, tanto Demóstenes quanto o Democratas passam por um declínio político.
A Operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF), que investiga a relação de políticos com a exploração de jogos de azar, pode ser um divisor de águas na vida do Democratas. Com a criação do PSD, em 2011, muito se disse sobre o destino do DEM: fusão da sigla com o PSDB ou então a reformulação do partido, como houve em 2007 com o antigo PFL. Mas a ação da PF pode ser o fator a determinar o antes e depois do DEM.
Inicialmente mais encorpado, a situação atual do partido em Goiás é crítica. Depois de eleger três deputados federais e um senador em 2010, além de ter o prefeito de Rio Verde, o Democratas hoje só conta com o deputado federal Ronaldo Caiado. Se antes já eram consideradas um verdadeiro instinto de sobrevivência, as eleições municipais serão encaradas agora como cruciais para o DEM.
Além de ser o grande nome da base estadual para disputar a prefeitura de Goiânia, Demóstenes era considerado um grande cabo eleitoral por muitos candidatos a prefeituras no interior do Estado. O apoio do senador contribuía para a eleição de muitos aliados.
Assumindo o papel de interlocutor do partido neste momento, o vice-governador José Eliton (DEM) admite os efeitos da saída de Demóstenes da legenda, mas tenta amenizar, afirmando que o partido é maior do que seus quadros. José Eliton quer tranquilizar os correligionários e passar a imagem de que o partido dará a volta por cima. A tese deveria prevalecer, mas a tendência é que o DEM tenha dificuldades em manter a vaga de vice-governador ou o nome indicado ao Senado em 2014.
Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou que era preciso “extirpar o DEM da política brasileira”. Em conversas reservadas, políticos goianos acreditam que o DEM acaba assim que a Justiça Eleitoral computar os votos das eleições municipais. Um dos sintomas do abandono do partido é esperado nas convenções municipais, no final de junho.
Com a saída de Demóstenes da disputa na capital, havia sido firmado anteriormente acordo de que o PSDB apoiaria o DEM em diversos municípios no interior do Estado. Pós-operação Monte Carlo, tucanos podem rever o quadro, já que, sem o senador e com a imagem desgastada, o DEM perde essencialmente sua força.