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Sem histeria nos restaurantes

15.05.2015 - 11:55:15
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Goiânia – O mundinho asseado, politicamente correto e chato pra cacete goianiense ficou alvoroçado com uns vermezinhos passeando em um queijo servido no bufê da Churrascaria Gramado da T-63, no Jardim América. O estabelecimento errou? Sim. A Vigilância Sanitária agiu bem ao interditar o local? Não tenho informações técnicas para afirmar, mas, olhando de fora, acredito que sim. A Gramado merece o achincalhamento público e essa mácula gigantesca em sua reputação? Estou incerto, mas tendo a dizer que não.
 

A real é que se fizermos um pente-fino em todos comércios de comida da cidade dificilmente escapa um. Do tiozão do carrinho de salada de fruta da esquina do trabalho ao requintado restaurante do Maristão, do pit dog favorito de seu bairro à lanchonete gourmet alternativa e descolada. Todo mundo que trabalha no ramo da alimentação teria um problema ou outro se a lupa da Vigilância fosse jogada no estabelecimento.
 

Vamos mais longe: quantas vezes nas cozinhas de nossas próprias casas não vacilamos e deixamos algo perder debaixo do nosso nariz? Comida é isso aí, se bobearmos, já era.
 

É claro que a responsabilidade de um restaurante é bem maior que a nossa em casa. Afinal, ele vende os produtos e deve garantir a qualidade dos mesmos. Mas também não se trata de um apocalipse e nem é motivo para o linchamento em praça pública que a churrascaria está sofrendo.
 

Há anos não vou na Gramado. Nunca pisei nessa unidade da T-63, para dar uma ideia do tempo que não vou ao local. Não curto mais rodízios. Aquela overdose de carnes que não quero comer, e acabo comendo por não resistir à tentação, até chegar o meu corte preferido não me seduz mais. Atualmente, quando quero uma boa carne opto por casas que servem pratos específicos e no ponto que desejo. Acho melhor gastar meu escasso dinheiro assim. Quando eu frequentava rodízios, nunca percebi nada diferente na churrascaria. O atendimento da Gramado sempre foi prestativo e a comida atendeu à minha expectativa.
 

Se eu visse a cena dos vermes no queijo, faria duas coisas: alertaria minha família para não comer o produto e chamaria o garçom avisando-o do problema. Simples assim. Não colocaria fotos ou vídeos nos meus grupos de WhatsApp, não faria textão no Facebook, não xingaria muito no Twitter. Teve um cabeludo e barbudo por aí, certamente hippie, que falou para só atirar pedras aqueles que não tiverem pecados, não é mesmo? Santo é algo que definitivamente não sou.
 

Para mim, dedo em riste só para chamar o garçom e pedir outra coisa. Ainda mais quando o telhado de vidro é de todo mundo que trabalha com comida.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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