Não é segredo para ninguém que o clima da Copa do Mundo, que tem início no dia 12 de junho, ainda não pegou. A imprensa mostra que o comércio de produtos relacionados ao torneio anda mais frio do que casamento arranjado. Se quem está na lide diária das vendas tem os dados técnicos, quem anda pela rua tem a mesma confirmação de forma empírica.
Basta olhar para os lados e perceber que o País não está no ritmo da festa do futebol. Carros escassos ostentam bandeiras, poucas lojas colocaram a decoração verde e amarela, nenhuma casa ainda foi fantasiada nas cores da bandeira do Brasil. A real é que se não fosse pelos comerciais que nos querem empurrar tudo para o evento e a contagem regressiva, nem pareceria que teríamos Copa do Mundo em 2014. Ainda mais que a mesma seria jogada em nosso País.
Talvez hoje a coisa comece a mudar. Com a divulgação dos 23 nomes pelo técnico Felipão dos que estarão em campo defendendo o escrete canarinho, pode ser que a população se toque que daqui a poucos dias estaremos com o que de melhor existe no futebol mundial, todos atletas disputando o título mais sonhado desse esporte. Afinal, você pode até desprezar futebol, mas não dá para dizer que Copa do Mundo é uma situação trivial. Definitivamente não é.
Tudo bem que sou doente da cabeça quando o assunto é futebol, mas eu me lembro perfeitamente a fase da vida que passava em cada Copa do Mundo que assisti. Desde a primeira que me recordo somente por conta das figurinhas que vinham no chiclete Ping Pong em 1982 até a de 2010, quando assisti o fatídico jogo contra a Holanda em casa. As figurinhas; o choro pelo pênalti perdido; a desilusão e a certeza de que eu nunca mais veria o Brasil campeão; a redenção adolescente com o título, primeiros rolinhos, bebedeiras e a euforia com o Brasil pós-Real; a dos livros do cursinho pré-vestibular; a vista entre as fraldas da primeira filha e plantões noturnos no jornal; a da alegria da primeira casa própria; a da frescura de escolher o tira-gosto conforme o adversário da Seleção. Cada Copa do Mundo teve sua marca. Estou certo que você também viveu isso em cada fase da vida. Por isso é que causa estranhamento essa falta de empolgação que vivemos agora.
Eu não saberia dizer com propriedade o motivo de tal apatia. Uma hipótese é que sacamos a baita mentira que nos foi contada quando trouxeram o campeonato para nosso país. Alardearam um tal de legado que não vai chegar nem para as Olimpíadas em 2016. Fizeram a gente de trouxa. Isso nos revoltou e pode ter nos distanciado do torneio. Outra possibilidade seria a iminência dos protestos gigantes que devem ganhar as ruas a partir de junho. Isso nos deixaria com as barbas de molho. Não sei a razão concreta, mas sei que está estranho.
É natural que falta de expectativa deixa apreensivo o comerciante que apostou suas fichas na venda de produtos relacionados à Copa. Mas, na boa, acho que as pessoas vão deixar para a hora H o envolvimento com o torneio. Seja pela via cidadã dos protestos nas ruas, seja pela via ufanista dos não sei quantos milhões em ação. Tudo pode acontecer durante a Copa do Mundo, menos ela passar batida. Essa é minha única certeza.