Vi que o Senado aprovou a volta da obrigatoriedade do diploma universitário para exercício do jornalismo. O texto agora segue para a Câmara dos Deputados onde deve passar sem maiores problemas. Não me preocupo uma vírgula sobre esse tema. Com ou sem diploma, jornalistas e não jornalistas continuarão pelas redações afora. Bons e maus textos continuarão sendo publicados. Canalhas e honestos continuarão se dizendo jornalistas. E a vida segue.
Acho essa uma discussão menor. Se me perguntarem se defendo o diploma, até respondo que sim, mas sem nenhuma convicção. Afinal, o único motivo que me leva a tal posicionamento é por que tenho um guardado no armário. Egoísta demais, eu sei…
A vivência profissional de mais de uma década de jornalismo me fez conviver com vários profissionais que admiro muito, com e sem diploma. Também me permitiu trabalhar com gente muito vergonha alheia, do tipo que não sabe escrever uma simples frase sujeito-verbo-predicado. Com e sem diploma. Não são quatro anos de faculdade que garantem qualidade no produto final do jornalista, infelizmente. Sou convicto de que para ter um belo texto, que cative e informe o leitor/ouvinte/telespectador, a universidade é um caminho válido. Mas está longe de ser o único.
Aprender técnicas de entrevista, apuração, reportagem e edição é fácil demais para vincular uma prática profissional à necessidade de um diploma. Para mim, o curso superior em jornalismo foi importantíssimo. Mas não foi por ter aprendido isso aí acima. Foi pertinente pela convivência inspiradora com professores que mantenho admiração, amizade e respeito até hoje, pela ambiência universitária em geral, pelas indicações de leitura que comprei e li tudo, pelas amizades… Convenhamos, nada disso é uma especificidade da faculdade de jornalismo. No meu caso, isso aconteceu ali. Mas é necessário ter o bom senso para reconhecer que em outros ambientes é possível adquirir essa formação também.
Usam o argumento da ética para defender o diploma. Na minha opinião, esse é o mais equivocado de todos. Se faculdade garantisse sólida formação ética para alguém, não veríamos com frequência desanimadora bacharéis, mestres e doutores das mais diversas áreas do conhecimento envolvidos em falcatruas mil.
Sou filiado ao Sindicato dos Jornalistas de Goiás, tenho carteira da Fenaj, pago minha taxa bi ou trianual sempre que vence, mas deixo que eles encampem essa briga para lá. Não vivencio as lutas coorporativas. Acho que esgotei minha taxa para a vida inteira de mobilização de categoria ainda no movimento estudantil. Não me orgulho dessa postura. Apenas a tenho.
E tem mais, o que é o jornalismo no mundo de hoje? O moleque que monta um blog em uma cidade do interior sem o menor interesse das grandes corporações de comunicação e começa a noticiar o cotidiano é jornalista? Em tese, não. Na prática, sim. E a galera que monta uma rádio comunitária para tocar o som e discutir o movimento cultural daquela realidade? São jornalistas?
Ou seja, estão discutindo uma perspectiva século XX enquanto o século XXI cavalga solto no campo da vida.