Na última sexta-feira, estive na capital do País, aquele famigerado quadradinho encravado na região Nordeste de Goiás e que é chamado de Distrito Federal, para ver o show do eterno ex-baterista dos Beatles, Ringo Starr. A apresentação ocorreu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, um interessante local para shows onde se tem uma boa visibilidade do palco de praticamente todos os lugares e os ingressos estavam esgotados já há um bom tempo. Ao final do show, eu estava com uma sensação estranha: feliz, mas achando meia boca o que havia assistido.
A verdade é que a gig valeu somente por ter presenciado o fato de Ringo Starr entre nós. Ponto. Musicalmente falando, só as quatro músicas dos Beatles que ele canta causam aquele sentimento eufórico tão típicos de shows. No restante do repertório, salvam umas duas da carreira solo do dono das baquetas mais famosas do mundo e umas duas que os músicos que o acompanham assumem os vocais (em especial para Hang on Sloopy interpretada por Rick Derringer, cuja versão Pobre Menina ficou famosa na voz de Leno & Lílian). O restante do show é de uma farofada sem tamanho. Chato, sem pegada, com timbre de banda de baile. Ringo nem toca sozinho a bateria, fica todo show acompanhado de outro baterista no palco. Constrangedor.
A sensação dúbia ao sair se deve ao fato de que o show é encerrado com o clássico absoluto With a Little Help From My Friends. E é impossível não exibir um largo sorriso quando uma música do melhor álbum de todos os tempos é executada. O coração é tocado e isso acaba influenciando na opinião geral sobre o todo. I wanna be your man e Yellow Submarine também despertam bons sentimentos. Boys faz com que a atenção aumente. O restante do show é de uma dispersão só, sem grandes emoções e até gerando certo enfado na plateia, que respeitosamente aguardava o próximo hit dos quatro garotos de Liverpool.
Quando eu saí para pegar um cerveja, que não podia ser bebida dentro do ambiente de show, percebi que muita gente também ficava de fora. Bebendo, fumando, lanchando, conversando, falando ao celular… As pessoas só corriam para dentro do espaço quando começava uma canção dos Beatles. Aí sim a atenção era total.
É até covardia comparar com a catarse que foi o show do Paul McCartney no Morumbi. Em todos os sentidos, o show do Paul dá de goleada no Ringo. Emoção, envolvimento, repertório, estrutura. Tudo. E isso é absolutamente normal. Paul é gênio. Ringo é o cara que ganhou a melhor Mega Sena da história da música. E de forma justa ainda vive desse bilhete premiado. Sorte dele.
Quando me perguntam se compensou ter investido a grana dos ingressos, hotel, transporte e rango no show, não tenho dúvidas: valeu demais! Não é todo dia que a história está ali na sua frente, a poucos metros dos seus olhos. Mesmo com toda a farofa do repertório da His All-Starr Band, sentir a áurea de estar ali durante as poucas músicas dos Beatles é indescritível (e não é isso que importa, tal qual já dizia Benjamin?). No final, não posso dizer que me arrependi.