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Sob o domínio da incerteza

11.09.2018 - 14:22:32
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Se tem uma coisa que gosto de fazer é de conversar. O tino jornalístico está impregnado em mim. Acabo de conhecer uma pessoa e dali a cinco minutos ela está me contando sua vida, falando dos seus problemas, me dizendo como está vendo o Brasil. Falamos de futebol, de política, de economia. Isso me permite ser uma espécie de instituto de pesquisa ambulante. Vou aqui e acola aferindo como pensam as pessoas, o que as aflige, quais são seus medos. Com base nessa experiência diária posso assegurar: tá todo mundo com muita incerteza em relação ao futuro.
 
Mais do que isso, estão todos com medo. Aquele quadro da Globo, que País você quer no futuro, mostra o senso comum. Quando se liga um celular e se inicia uma filmagem a pessoa se transforma, deixa de ser espontânea. Se as mesmas pessoas fossem filmadas com câmeras escondidas os resultados certamente seriam outros. Falar que quer o fim da corrupção, dos problemas na saúde e educação, que quer mais segurança é óbvio, mas são todos objetivos muito distantes e improváveis. São sonhos. Por esses dias, por exemplo, um candidato lançou a seguinte promessa: que todas as casas do País, palafitas, barracos etc. seriam regularizadas e teriam saneamento básico em 4 anos. Veja se pode? O outro promete limpar o nome de todo mundo num estalar de dedos.
 
Essas coisas as pessoas precisam filtrar, desconfiar, entender que são promessas impossíveis. O que o povo quer são medidas macro e que viabilizem todo o resto. Por exemplo: se você mexe para baixo nos encargos trabalhistas é natural que sejam criados mais empregos; se você reduz os impostos para as empresas, certamente as empresas irão investir mais porque sobrará mais dinheiro; se você cortar gastos e investir em obras públicas fará a economia se mexer para cima; se retirar a presença do Estado em segmentos nos quais ele não é estratégico, certamente ganhará eficiência. Isso permite que a economia se movimente como um todo, que haja maior dinâmica e emprego.
 
Isso tudo em um ambiente de regras claras, com taxa de juro baixa, com redução dramática da burocracia. O Brasil precisa entrar na era da modernidade, criar de verdade um documento único em todo o País, eliminar os cartórios no sentido genérico que atravancam a economia e impedem os investimentos e o surgimento de novos negócios. Precisa ter uma legislação única para liberação de alvarás, precisa ter práticas gerais comuns a todos os municípios de forma a garantir que as coisas andem iguais.
 
Sem facilidade, estaremos sempre à mercê da vontade de um funcionário público, de um carimbo, de uma certidão autenticada e com firma reconhecida. Portanto, o excesso de regulação, de tributos, de etapas é que mata qualquer atividade no Brasil. Prejudica as relações e afeta o nível geral do desenvolvimento econômico.
 
O que ouço das pessoas todos os dias são essas coisas. Querem mais emprego, querem menos regras, querem viver como se o Estado, em todas as esferas, parecesse nem existir. Querem tocar suas vidas sem acordar com um novo imposto, sem a ingerência do poder do Estado, querem sentir que não é preciso ter três esferas de governo administrando sistemas diferentes na saúde, na educação, na segurança. Seriam tão mais simples se isso tudo pertencesse a uma estrutura única, preferencialmente com gestão privada. Quando será que os governantes vão entender que não se pode a cada mandato mudar a gestão, o sistema de funcionamento, as prioridades?
 
Uma vez estive na França a convite da Rhodia. Aqui no Brasil era uma empresa privada, na França era estatal. Só que os resultados na França eram espetaculares. Sabem por que? Porque lá, mesmo com a troca de governos, socialistas, de direita, de centro, se avaliava o trabalho da diretoria de forma profissional. Por isso o presidente daquela estatal estava lá há cinco mandatos, ou cerca de 15 anos. No mesmo período, aqui no Brasil, a nossa Petrobras tinha trocado de presidente 15 vezes.
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por Eleno Mendonça

*Jornalista, consultor de imagem e diretor da Eastside23 Comunicação Corporativa

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