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Somos todos lambões

03.02.2015 - 15:30:58
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Goiânia – Se existe uma característica irritante no brasileiro é a dificuldade de lidar com a “coisa pública” (expressão, convenhamos, muito feia). É regra, entre nós, moradores do Trópico de Capricórnio, um evidente descaso com o espaço coletivo.

Prevalece a máxima de que o que é de todos não é de ninguém.


As provas estão por todos os lados. É o motorista que joga o lixo pela janela do carro, é o pichador que emporcalha os prédios, é o anunciante que utiliza o poste de energia como outdoor, é o motoboy que pinta o número do telefone na calçada, é o comerciante que usa a mesma calçada como vitrine.

Enfim, exemplos do cidadão que leva para a rua a “sombra da casa”, como diria Gilberto Freyre, estão por toda a parte. O pior: ao levar a tal sombra da casa para a rua, o cidadão transforma esta não apenas em uma extensão de sua propriedade privada, mas, sim, no depósito daquilo que não deseja ver como um estorvo para o conforto de seu lar. Daí ser comum varrer o lixo para a calçada, mantendo uma ilusória sensação de limpeza interna, mas atrapalhando o uso do passeio público e entupindo as galerias pluviais.

Outro exemplo, bem mais trágico, está batendo às nossas caras todos os dias. A chamada crise hidrológica que atinge o Sudeste (quando era no Nordeste era seca mesmo) é uma soma de desperdício, falta de planejamento, crescimento desordenado e desleixo com o meio ambiente. Afinal, água não tem dono e, por isso, não me importo em despejar litros e litros para lavar meu quintal e meu carro, pois “eu tô pagano”.

O mesmo ocorre nos espaços privados, mas de uso público. Damos broncas em nossos filhos que põem o sapato sujo no sofá, mas não nos importamos se ele os coloca na poltrona do cinema, derramando refrigerante e emporcalhando o carpete com tonelada de pipoca – um símbolo ao desperdício e à má educação. Afinal, tem gente ali para limpar.

A solução, todos apontam, é aumentar a fiscalização. Afinal, não conseguimos mesmo escapar do eterno “vigiar e punir”.
Isso me dá uma preguiça enorme. Por que só conseguimos fazer as coisas certas quando ninguém está vendo? Por que não conseguimos seguir as mínimas regras de civilidade por consciência própria e não por medo de uma multa?

Como diz meu amigo Elder Dias: esperar por isso é mais difícil do que esperar meu Vila Nova chegar à Série A (do Campeonato Brasileiro, frise-se).
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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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