Prevalece a máxima de que o que é de todos não é de ninguém.
As provas estão por todos os lados. É o motorista que joga o lixo pela janela do carro, é o pichador que emporcalha os prédios, é o anunciante que utiliza o poste de energia como outdoor, é o motoboy que pinta o número do telefone na calçada, é o comerciante que usa a mesma calçada como vitrine.
Enfim, exemplos do cidadão que leva para a rua a “sombra da casa”, como diria Gilberto Freyre, estão por toda a parte. O pior: ao levar a tal sombra da casa para a rua, o cidadão transforma esta não apenas em uma extensão de sua propriedade privada, mas, sim, no depósito daquilo que não deseja ver como um estorvo para o conforto de seu lar. Daí ser comum varrer o lixo para a calçada, mantendo uma ilusória sensação de limpeza interna, mas atrapalhando o uso do passeio público e entupindo as galerias pluviais.
Outro exemplo, bem mais trágico, está batendo às nossas caras todos os dias. A chamada crise hidrológica que atinge o Sudeste (quando era no Nordeste era seca mesmo) é uma soma de desperdício, falta de planejamento, crescimento desordenado e desleixo com o meio ambiente. Afinal, água não tem dono e, por isso, não me importo em despejar litros e litros para lavar meu quintal e meu carro, pois “eu tô pagano”.
O mesmo ocorre nos espaços privados, mas de uso público. Damos broncas em nossos filhos que põem o sapato sujo no sofá, mas não nos importamos se ele os coloca na poltrona do cinema, derramando refrigerante e emporcalhando o carpete com tonelada de pipoca – um símbolo ao desperdício e à má educação. Afinal, tem gente ali para limpar.
A solução, todos apontam, é aumentar a fiscalização. Afinal, não conseguimos mesmo escapar do eterno “vigiar e punir”.
Como diz meu amigo Elder Dias: esperar por isso é mais difícil do que esperar meu Vila Nova chegar à Série A (do Campeonato Brasileiro, frise-se).