Logo

Subir no palco e pular no público é para jovens

08.11.2014 - 09:27:15
WhatsAppFacebookLinkedInX


Goiânia – Em uma comunidade que participo no Facebook dedicada à memória da saudosa revista Bizz, existe um tópico que elenca as reações de variados artistas ao hábito do público de subir no palco e se jogar em cima da galera.

É engracadíssimo. Josh Homme do Queens of the Stone Age empurra o fã do palco e avisa que ali é seu território. Keith Richards dos Rolling Stones tira a guitarra e a desfere contra o infeliz. Fat Mike do Nofx dá uma cotovelada no fã que tentou o abraçar e, com o cara caído, desfere um chute de fazer inveja a Anderson Silva. Mike Patton do Faith no More, em show de seu projeto paralelo, o Mr. Bungle, dá uma microfonada na cabeça de um coitado que o próprio artista se arrepende e arruma uma toalha para ajudar a estancar o sangue. O rapper Akon ergue um moleque no braço e o arremessa de volta ao público.

Uma bela coletânea de cenas. Digna de melhores momentos da luta livre que passava no SBT.

Existem locais que chamam a prática de subir no palco e se jogar no público de mosh. Outros de stage dive. Quando jovem, eu usava o primeiro termo. Hoje, prefiro denominar de inconsequência juvenil.

Somente a imaturidade daquela importante, e que não me causa sentimento algum fora a vergonha, fase da vida chamada juventude para explicar um ato tão irracional. A lista de consequências nefastas que tal ato podem provocar no cara que pula e no incauto que está assistindo o show deixariam Dráuzio Varella com pauta para uns 70 programetes. 

Uma vez no Martim Cererê, em um show da Bidê ou Balde, subi no palco e me larguei sobre o público que foi me empurrando com as mãos. Naquele bodyboard no mar de gente, fui direcionado rumo a roda de pogo que estava no meio do teatro. Caí no meio do povo que elegantemente dança se chutando. Se fosse hoje, seria preciso chamar o Samu para me resgatar. Mas como eu vivia o frescor da juventude, levantei e voltei para o gargarejo.

Em outra ocasião, durante uma apresentação do Matanza no Oscar Niemeyer, estava vendo o show na beirada do canto esquerdo do palco. Eles começaram a tocar I got stripes de um de meus heróis, Johnny Cash. Subi ao palco, o atravessei dançando e saltei sobre o público no lado oposto. Caí em cima de um portador de necessidades especiais que estava na frente do palco esperando pelo show seguinte que, se minha combalida memória não está me deixando na mão, era do Marcelo Camelo. Sem ter onde enfiar a cara, pedi desculpas constrangidas e saí de perto.

Nunca topei com um artista hostil como esses acima. Nem me machuquei ou feri alguém nessas aventuras. Posso me considerar um cara de sorte. Ainda bem que esse tipo de emoção existe agora somente nas histórias que conto para os outros.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

Mais Lidas
Postagens Relacionadas
Joias do Centro
27.02.2026
Uma árvore, muitas camadas de memória na Rua 20

Carolina Pessoni Goiânia – Há árvores que oferecem sombra. Outras oferecem memória. Quem passa pela Rua 20 talvez veja apenas mais uma delas, de grande porte, em frente ao antigo casarão que abrigou a primeira moradia de Pedro Ludovico e, mais tarde, a Faculdade de Direito que deu origem à Universidade Federal de Goiás (UFG). […]

Meia Palavra
27.02.2026
‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ leva humor, aventura e bondade para Westeros

Se tem um universo que parece ter gerado uma terrível ressaca coletiva é o de Game of Thrones. Após o final patético da série e duas temporadas ocas de A Casa do Dragão, parecia que qualquer tentativa de retomar esse mundo no streaming não teria a menor chance de reconquistar a boa vontade da audiência. […]

Noite e Dia
27.02.2026
Evento na sede da OCB/GO marca lançamento do maior congresso de cooperativas de crédito do mundo; veja fotos

Carolina Pessoni Goiânia – O Sistema OCB/GO lançou, nesta quinta-feira (26/2), o 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred), maior evento do cooperativismo financeiro no mundo. A apresentação foi realizada no edifício Goiás Cooperativo, em Goiânia, com a presença do presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira; do presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas […]

Noite e Dia
25.02.2026
Prêmio Mais Influentes da Política em Goiás reúne autoridades e personalidades em Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – A entrega das premiações da edição 2026 do Prêmio Mais Influentes da Política em Goiás foi realizada nesta segunda-feira (23/2). Promovido pela Contato Comunicação, a 16ª edição foi realizada na Câmara de Goiânia, no Auditório Jaime Câmara. O reconhecimento contempla os nomes mais citados por jornalistas e formadores de opinião do […]

Projetor
24.02.2026
Talvez

Já falei em outros artigos sobre a dificuldade de opinar toda semana. Há motivos pessoais e questões culturais envolvidas nisso. Em termos pessoais, tenho opiniões duras a depender do assunto. De forma geral, entretanto, é a dúvida que me guia. São características enraizadas em toda uma história de vida das quais não se pode escapar. […]

Noite e Dia
23.02.2026
Posse solene de desembargadora do TJGO reúne autoridades em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A solenidade de posse da desembargadora Laura Maria Ferreira Bueno foi realizada na última sexta-feira (20), no Plenário Desembargador Homero Sabino de Freitas, na sede do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em Goiânia. Sob a condução do chefe do Poder Judiciário estadual, desembargador Leandro Crispim, a cerimônia cotou […]

Curadoria Afetiva
22.02.2026
Cerradim e um Jardim

A ideia de formatar o evento “Cerradim” partiu do desdobramento do “Projeto Goianins”, realizado ano passado, com oficinas criativas para crianças típicas e atípicas, cujo resultado dos trabalhos artísticos foram projetados nas paredes dos muros dos moradores da rua do entorno do Jardim Potrich. A idealização desse espaço multicultural sempre esteve vinculada a duas principais […]

Joias do Centro
20.02.2026
Feira Dom Bosco: raízes, tradição e trabalho na região central de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Antes mesmo de o sol firmar presença no céu de Goiânia, as ruas do Setor Oeste já começam a ganhar outro ritmo. O cheiro de fruta cortada, o peso das caixas descarregadas ainda na madrugada e as primeiras conversas entre fregueses antigos anunciam que é dia de feira. Às terças e […]