Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – Adotada quando tinha 4 anos, pois o pai havia falecido e a mãe não suportou a dor da perda do marido, ficando doente, Suely Ferreira Barbosa da Silva quer reconstruir sua história e tentar encontrar os seus três irmãos, que tinham idade próxima à sua e também foram dados para adoção, e mesmo sua mãe biológica.
Ela foi adotada em 1968 pelo casal Valdemar Barbosa, paulista, empresário e viajante comercial, e Amélia Ferreira Barbosa, natural de Mundo Novo, GO, município que faz divisa com Nova Crixás e Uirapuru, também em Goiás. Na certidão anotaram como sua data de nascimento 20 de novembro daquele ano, momento em que já teria uns quatro anos – pelo registro no Cartório de Crixás, GO, hoje tem 52 anos, o que somado à sua idade àquela época, resultaria em 55 ou 56 anos atualmente.
Os quatro irmãos não mais se viram, nunca conheceram nenhuma história a respeito e só recentemente ouviu do tio Manoel Ferreira, irmão de sua mãe adotiva e que tem um sítio em Uirapuru, sobre sua possível ligação com a família Naves de Rubiataba, GO.
Sempre soube que era adotada e não teve iniciativa de procurar, nem de ligar no Juizado dessa cidade para ter informações a respeito. Somente agora é que decidiu contar sua história e obter orientações nessa busca pelos irmãos e mesmo pela mãe, de quem não sabe o nome. O pai, possivelmente, se chamava João. Ela se lembra da fazenda Mata Azul e do povoado do Caneco, nessa região, onde funcionava a mercearia tocada por dona Amélia.
Há 35 anos ela mora em Campinas, SP, para onde se mudou quando se casou com José Eduardo da Silva, marceneiro, com quem tem um casal de filhos – Gilberto Barbosa da Silva, 34 anos, também marceneiro, e Caroline Ferreira da Silva, 31, que trabalha de caixa numa loja, que lhe deram dois netos: Marcos Vinícius, 11 anos, e Pedro, 10 anos.
Dias atrás ligou para Ademir Nunes Naves, que reside em Edealina, GO, e lhe sugeriu que relatasse sua história ao jornalista Jales Naves, que realiza um importante trabalho sobre a família Naves. Nessa iniciativa já tem pronto um livro, elaborado pelas irmãs Maria Helena Fernandes Cardoso e Vicentina Naves Fernandes, que foram professoras da Universidade Federal de Uberlândia, que resgata a história dos Naves no Brasil, a partir da chegada do primeiro parente, João de Almeida Naves, em 1650, e que deve ser lançado possivelmente neste ano.
História
Sem um passado que lhe permita conhecer sua história, Suely só sabe que eram quatro irmãos quando o pai faleceu, a mãe não teve condições de criá-los e os demais familiares não teriam demonstrado interesse ou as devidas condições de assumir a responsabilidade pela criação deles. Nessa situação, conforme lhe contaram, o Juizado de Menores assumiu o caso e os encaminhou para adoção.
Valdemar, que havia se casado com Amélia em junho de 1968, ficou sabendo desse episódio e os dois decidiram adotar um dos quatro irmãos. Ele tinha um caminhão para transportar as mercadorias que adquiria para sua mercearia. A família se mudou depois para o Pará, residindo, sucessivamente, em Redenção, Rio Maria, Xinguara e Sapucaia, e depois foi para Rio Preto, SP, em 1984, onde conheceu José Eduardo, com quem se casou em 1985, mudando-se em seguida para Campinas, SP, onde a nova família se fixou.