Não tem jeito, a barbárie do crime contra a diarista que tomou um tiro na cabeça depois de sacar pouco mais de 1,5 mil reais em um banco de Goiânia ainda não saiu da minha cabeça. Escrevi sobre isso ontem aqui no A Redação, mas esse tema continuou me incomodando ainda hoje. Não é para menos. Impossível aceitar com naturalidade que pessoas estejam morrendo nas mãos da bandidagem, com a mesma forma de ação, e o poder público continue estático. Por que perdemos tantas vidas nessa prática? O que pode ser feito para tentar coibir esse tipo de crime? Como o Estado pode ser mais proativo e tentar minimizar o problema?
Li todos os comentários que os leitores fizeram ao texto de ontem e dali surgiram algumas reflexões. Na participação da leitora Juliana, tive a primeira ideia: acho que os bancos devem ser solidários nessa responsabilidade junto à segurança pública. O passo inicial nesse sentido seria abolir a taxa cobrada para transferências entre bancos diferentes. Isso significaria muito pouco de perda para quem tem lucros fabulosos e mostraria boa vontade perante a sociedade para resolver esse problema. Contudo, se não partir das instituições financeiras, que essa iniciativa venha do poder público. Não sei se isso seria de competência federal ou estadual, mas um deputado poderia propor o fim dessa taxa pelas vias legais e ponto final. Seria muito mais simpático se a atitude viesse dos bancos, mas definitivamente não acredito em boa vontade de banqueiro.
Já no comentário do leitor Renato Naves, outro ponto importante veio à tona: a desqualificação da população em geral para lidar com os serviços eletrônicos dos bancos. Nesse sentido, as instituições deveriam investir em duas linhas de trabalho – a simplificação extrema da interface de suas páginas de movimentação financeira e oferecer de forma gratuita aos seus clientes cursos de capacitação. Novamente, iria custar muito pouco para os bancos e seria extremamente bem visto uma ação nesse sentido. Ampliar a inclusão digital para operações financeiras simples é, vemos agora, questão elementar de segurança pública.
Essa sugestão anterior se liga ao comentário da leitora/amigona Agatha Couto. Ela alerta para a questão da segurança no mundo virtual. Agatha, por exemplo, diz que já foi assaltada virtualmente – o que é chato, mas, convenhamos, bem menos traumático do que uma abordagem pessoal. Mais uma vez é necessário investimento dos bancos na tecnologia de segurança virtual e, nunca é demais repetir, oferecer cursos aos clientes onde eles possam entender procedimentos simples que garantem uma segurança extra ao fazer transações online.
Espero que esse esforço para encontrar soluções esteja sendo feito não só por nós da sociedade, mas também por autoridades da Segurança Pública em Goiás junto dos representantes do setor dos bancos. A responsabilidade é de todos e precisamos cobrar sempre para que mais vidas não sejam perdidas nessa prática criminosa que hoje tanto nos assusta.