A Redação
Goiânia – Após quatro meses de trabalho de vistoria e auditpria, auditores-fiscais do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho em Goiás (SRT/GO) determinaram a interdição do Hospital Materno Infantil (HMI), em Goiânia, administrado pelo Instituto de Gestão e Humanização (IGH). Coordenações técnicas da unidade e a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) deverão apresentar no prazo de dez dias, a partir desta terça-feira (30/4), um cronograma de desocupação do prédio. O termo de interdição será entregue aos representantes da SES-GO e da Organização Social nesta terça-feira (30/4), às 10 horas, na sede da SRT-GO.
A auditoria do trabalho no HMI foi realizada em conjunto com fiscais do Conselho Regional de Farmácia e, entre outros pontos, identificou problemas graves na instalação elétrica da unidade, o que aumenta risco de incêndio.
A auditora fiscal Jacqueline Carrijo, responsável pela coordenação dos trabalhos, destaca que a auditoria começou em janeiro deste ano após uma série de denúncias dos próprios trabalhadores da unidade. "Eles alertavam para a falta de medicamentos e insumos, além das péssimas condições de trabalho. A situação do hospital é de total abandono, mas um abandono que já dura anos e anos", diz ao destacar que todas as fases de auditoria foram acompanhadas pelo Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho.
Problemas
Além do perigo envolvendo as instalações elétricas, a auditoria constatou também péssima estrutura arquitetônica, hidráulica, superlotação e degradação predial, situações que potencializam, entre outras coisas, riscos de infecção, riscos de acidentes do trabalho. Foi identificado também risco de degradação de medicamentos nos postos de enfermagem em razão da inexistência de sistema de climatização, calor excessivo, umidade, deterioração do mobiliário. Ainda na lista de problemas ocupacionais nas enfermarias e postos de enfermagem aparecem a superlotação, a insuficiência de medicamentos na farmácia, falta de higiene e conforto ocupacional, a ineficiência do controle de pragas e vetores a grave e insegura desorganização ocupacional imposta aos trabalhadores em razão da péssima estrutura da unidade de saúde.
Desocupação
Conforme consta no Termo de Interdição, a desocupação do prédio interditado deverá ser feita "de maneira segura, responsável, programada, progressiva, acompanhada por médicos e enfermeiros do HMI, e também pela Vigilância Sanitária, que é a instituição responsável pela garantia da segurança dos pacientes".
Proibida entrada de novos pacientes
Fica proibida a entrada de novos pacientes no Materno Infantil, a partir da entrega do Termo de Interdição, até a total regularização da farmácia. O abastecimento suficiente e seguro da farmácia deve ser provado e assinado pelos responsáveis técnicos farmacêuticos da unidade e entregue à Auditoria do Trabalho, Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho. Compete ao órgão da regulação responsável não encaminhar novos pacientes para o hospital interditado.