Yuri Lopes
Fotos: Tarcísio Pina
Apaixonado por imagens desde criança, o empresário Tarcísio Pina encontrou na fotografia um escapismo para relaxar da rotina estressante de uma indústria metalúrgica. “Se pudesse eu queria viver só de fotografia”, resume ele, que costuma dizer que é empresário por opção e fotógrafo por vocação. Os interessados em conhecer pessoalmente uma pequena amostra do trabalho de Tarcísio pode conferir a exposição de nove imagens de diversos temas expostas no Ateliê do Grão, no Setor Marista, em Goiânia; e outras fotografias no CasaPark, em Brasília.
Envolvido profissionalmente com fotografia há pouco mais de dez anos, Tarcísio escolheu se especializar em fine art, a técnica de impressão fotográfica que representa o máximo de qualidade disponível em revelação de imagens. O fine art é um estilo utilizado também na gastronomia e na arquitetura e é caracterizado pelo alto padrão de qualidade no resultado final. O fotógrafo que nasceu em São Paulo mas veio para Goiânia ainda pequeno, foi palestrante no 2º Circuito Época de Design, em Goiânia.
Fotógrafo Tarcísio Pina (foto: divulgação)
O que torna o trabalho de fine art tão especial é a combinação entre tinta mineral com papéis nobres, das lendárias marcas Hahnemühler e Canson, compostos com 100% de algodão ou em alfa celulose. Tarcísio conta que Claude Monet pintou telas em papéis da marca Canson e as cores, texturas e definição estão até hoje praticamente intactas.
Primeiros cliques
Tarcício Pina conta que as imagens desempenharam nele um fascínio desde criança, mas foi apenas em 2001 que teve interesse mais profissional e começou a registrar seu olhar através de fotografias. Ele chegou a enviar imagens para concursos dentro e fora do Brasil. Chegou a ser finalista do antigo Prêmio Flamboyant, um fórum nacional de artes, realizado em 2004.
Há cerca de dois anos o fotógrafo resolveu deixar a técnica mais comum de revelação de fotos para utilizar o método de impressão fine art, derivada do termo giclée, que quer dizer borrifar em francês, e representa a impressão a jato de tinta a base de pigmento mineral. De acordo com Tarcício, este recurso expressa o que há de mais avançado na reprodução de imagens.
“Utilizamos papéis a base de fibra de algodão, que juntamente com a tinta mineral garante maior durabilidade e qualidade da fotografia. Uma foto revelada no modo fine art pode durar mais de 100 anos sem perda de qualidade, brilho e definição das cores”, explica Tarcísio. O empresário lembra que este é o mesmo suporte aceito e utilizado por museus, devido a alta qualidade e tempo de duração da imagem retratada. Tarcísio compara a impressão com tinta mineral a uma tatuagem. “Não desbota, não sai com facilidade e dura mais de 100 anos”, diz.
Fotos como arte
Tarcísio atende principalmente clientes arquitetos e decoradoras, que encomendam telas para auxiliar na composição dos ambientes que esses profissionais trabalham. De acordo com ele, a fotografia está muito bem aceita no mercado de arquitetura e decoração. “Vejo a fotografia andando em pé de igualdade com as outras formas mais comuns de obras de arte. Vejo com muita frequência ambientes cada vez mais compostos com fotografias junto com esculturas e quadros de arte”, comenta. Tarcísio diz que a aceitação pela fotografia em estilo fine art é bem aceita pela possibilidade de exposição direta com a luz natural sem perda de qualidade.
Quem visita o site de Tarcísio Pina ou já viu algumas de suas obras, percebe facilmente o interesse do artista por temas como paisagens urbanas, detalhes de arquitetura, detalhes de luz e sombra e espaços vazios.
“A fotografia é o duelo de luzes e sombras, expresso pela luz do sol. Tento buscar nessa brincadeira de duelo de luz e sombra a reprodução do momento”, declara. Sobre a composição de suas fotos, Tarcísio explica que não tem qualquer processo de criação ou produção. “Elas surgem no meu olhar, o enquadramento é involuntário, bato o olho, percebo que é aquilo que eu quero e faço o clique”, conta.
Tarcísio não larga sua câmera quando viaja. “Nunca ando desarmado. Sempre que viajo, não importa se é a trabalho ou a lazer com a família, lá estou eu registrando tudo aquilo que meu olhar acha interessante”, diz. O empresário conta que antes de fazer a viagem já avisa para a turma que vai fotografar e pede paciência aos colegas de trabalho. O fotógrafo garante que nunca fica cansado ou desestimulado em relação ao ato de fotografar.
A família já está acostumada, mas ainda assim, reclama. “Meus filhos vivem me puxando para continuar andando e eu dizendo pra esperar pois “preciso” daquele posicionamento epecífico oda luz”, cita. Outro caso que envolve o compartilhamento de atenção de Tarcício se deu no primeiro dia de casamento. “No dia da lua de mel, depois de fazer minha obrigação como marido, saí para fotografar. Falei para a minha esposa: ‘Amor, fica aí dormindo que eu vou fazer umas fotos e já volto'”, lembra. O cenário registrado pelas lentes de Tarcísio era a Itália, local da lua de mel do casal.
Quando viaja a negócios, o empresário recorre à fotografia para dar uma relaxada e aproveitar a viagem de forma mais prazerosa. “As viagens ficam mais aproveitadas, você fica com o olhar mais aguçado”, explica. Ele já deu seus cliques por vários países da Europa, pelos Estados Unidos, China e Japão.
Referências
Os fotógrafos que considerados como exemplos para Tarcísio Pina vão do regional ao internacional. Ele lista Ansel Adams, Cartier Bresson, Sebastião Salgado, J.R. Duran, Márcio Scavone e Jean Bergerot, de quem Tarcísio recebeu orientações e ensinamentos sobre várias técnicas de fotografia. De J.R. Duran vem uma característica em comum: fazer fotografia sem nenhuma obrigação, nada que prensa sua liberdade de expressão.
Quando está na rua, prestes a registrar imagens, Tarcísio diz não ter o olhar atraído especialmente por nada específico. Segundo ele, a percepção acontece de forma espontânea. Ele assume gostar de fotografar ambientes com poucas pessoas e explica a razão desta preferência. “Quando você enquadra um local turístico ou qualquer outro ambiente com pessoas, a roupa, o estilo dela fica impresso na foto e data a imagem. Fotos sem pessoas têm um tempo maior, elas não ficam marcadas no tempo”, revela.
Ele diz ainda que adora a posição de observador da imagem. Sobre imprimir uma identidade em suas fotos, o empresário declara que isso não só é possível como muito fácil de perceber. Ele cita Ansel Adams para justificar seu pensamento. “Não fazemos uma foto apenas com uma câmera. Ao ato de fotografar trazemos os livros que lemos , os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos”, conta. De acordo com Tarcísio, o artista não tem como se anular e sempre deixa um traço do que ele sente, vive e do que é.
Tarcísio define seu estilo como clássico, com forte influência das formas criadas pela luz e sombras. “No meio desse duelo entre luz e sombra, procuro me colocar meio que sozinho dentro da imagem, apenas como observador. A necessidade de solidão momentânea me atrai muito na fotografia.