Nesse final de semana, eu e minha mulher fizemos uma coisa que há mais de três meses não conseguíamos: assistimos um filme. Quem tem bebê recém-nascido em casa sabe como é, não temos tempo sequer para sentar. Fazer algo que não o envolva nos primeiros meses é missão para Tom Cruise nenhum botar defeito. Agora, com nossa filhota com mais de três meses, foi possível sentar e ver um filme. Escolhemos Gran Torino, do gênio Clint Eastwood. O motivo é simples: amamos Clint e assistimos tudo que o cara faz.
Para quem não viu essa obra de 2008, ela é dirigida, produzida e protagonizada por Clint. O cara faz um veterano da guerra da Coreia que trabalhou por 50 anos na Ford após o conflito. Por conta da luta e da concorrência dos veículos asiáticos com a indústria automobilística americana, ele é bem preconceituoso contra o povo desse continente. Mas a convivência com seus vizinhos o leva a reconsiderar seu comportamento.
Um filme conservador, com final que tem alguma surpresa, mas não muitas. Inegavelmente, é uma obra menor na filmografia de Clint e seu legado já construído. Mas o fato é que gente do calibre de Clint, mesmo quando manda mal, tem virtudes que o colocam acima da média. Melhor ver um péssimo filme de Clint do que a obra prima de uns diretores que a gente topa por aí.
Mesma situação sinto com Woody Allen. Quando vejo a crítica cinematográfica descer a lenha em algum novo filme do diretor nova-iorquino, abro um sorriso e vou assistir ao filme despreocupado. Sei que o pior filme de Allen é capaz de ser superior à média do que está sendo produzido naquele ano.
E isso não acontece só no cinema. Na música, por exemplo, rola a mesma coisa. O Rolling Stones tem um disco que nunca configura entre os grandes álbuns de sua carreira chamado Steel Wheels. Lançado em 1989, é uma obra menos inspirada e onde fica claro que as brigas entre Keith Richards e Mick Jagger estavam chegando a patamares insuportáveis. Mesmo nesse trabalho claramente menor, os caras ainda sacam uma grande canção como é o caso de Mixed Emotions – música melhor que discografias inteiras de bandinhas capa da NME.
É por isso que prefiro a tradição e o consolidado às apostas. Na tradição, a chance de erro é menor. Essa galera, mesmo quando dá um tiro errado, é mais certo que o tiro certo de quem não tem talento.