O Atlético Mineiro não é um time para amadores. Para quem tem o coração doente. Para quem sofre demais com essa coisa maldita (e apaixonante) chamada futebol. É para quem tem as costas calejadas, frieza correndo nas veias e a sabedoria que só quem sofre muito tem. Nutro respeito profundo pelos atleticanos de Minas Gerais.
Ontem acompanhei o jogo entre Atlético Mineiro e Newell’s Old Boys com estágio intermediário de emoção. Isso significa que eu torcia pelo Galo, mas não me desesperava com o passar dos minutos na mesma intensidade de quando vejo o Goiás (time do coração) ou o Flamengo (time da simpatia) jogar. Queria que o Galo vencesse e seguisse adiante, mas se o time fosse eliminado, não ficaria deprimido com a vida como foi naquela fatídica final da Sul-Americana contra o Independiente que nem gosto de lembrar.
Hoje, o time das Minas Gerais me é simpático. Tem um futebol bonito, com vocação ofensiva e que dá gosto de ver. Assim como o Fluminense me foi naquela traumática para os tricolores Libertadores que terminou na LDU. Assim como o Santos me foi contra o Barcelona. Só que quando não há coração, essa admiração é curta, passageira. Basta que o time comece a ganhar tudo para que a simpatia se transforme em sentimento oposto. Por exemplo, hoje acho o Fluminense o time mais chato do Brasil, junto do Corinthians e São Paulo.
Outro fator de simpatia para com o Galo se deve à escassez de títulos importantes na galeria de troféus alvinegros, que é inversamente proporcional aos talentos grandiosos que o clube já revelou ao futebol brasileiro. Não tenho dúvidas que dos ditos “clubes grandes”, o Atlético Mineiro tem a torcida mais sofrida.
O Brasileirão de 1971 é muito pouco para tudo que o Galo tem de história. Bateram na trave tantas vezes em títulos relevantes que gerações nunca comemoraram algo que extravasasse as fronteiras mineiras. Foram Brasileirões, Libertadores e Copas do Brasil que o time tinha toda a pinta de campeão, mas o cruel acaso quis o contrário. A vida é dura para todos, mas é inegavelmente mais ríspida com os atleticanos. Duas Copas Commebol são insuficientes para a grandiosidade de sua história e o amor da torcida. Será que agora chegou a hora?
Discordo daqueles que falaram que o jogo de ontem era o mais importante da história do Atlético Mineiro. Não era. O time já chegou a semifinal de Libertadores. Por outro lado, concordo que a partida contra os paraguaios do Olímpia tem esse status histórico. O Corinthians quebrou seu tabu ano passado. A torcida do Galo reza para que 2013 seja seu ano.
De minha parte, vou assistir aos dois jogos e torcer pelas arrancadas de Bernard, precisão de Ronaldinho Gaúcho, frieza de Jô, criatividade de Diego Tardelli e defesas inacreditáveis de Victor. Se mais uma vez o Atlético Mineiro bater na trave e ficar na vice, paciência. Toda torcida tem sua cruz para carregar. Eu já tenho a minha, não posso ajudar os outros. Lamber minhas próprias feridas futebolísticas já é bastante dolorido, acredite. Se valer de algo, fica aqui meu grito: GALO!!!