Chato é chato em qualquer lugar. Creio que aquilo que alguém é na internet representa apenas uma extensão do que a própria é no contato pessoal. Só que com um pouquinho menos de superego. Afinal, no face a face a responsabilidade sempre é maior. Existe a possibilidade de um olhar mais severo caso alguma inconveniência seja dita, a resposta será direta e áspera e, em casos extremos, um sopapo no pé da orelha é sempre uma hipótese. Na internet isso não acontece. Existe a mediação da máquina entre as pessoas o que deixa a coisa um pouco mais solta. Mas não tenho dúvidas: se alguém é chato na internet, será chato pessoalmente; se é gente boa, será gente boa; se a mulher é gata, será… ops, acho que aqui essa regra fura, pois foto de internet engana que é uma beleza. Voltando ao assunto dos chatos, o Twitter, pelo seu caráter instantâneo e interacional, é um prato cheio para percebemos o quanto alguém pode ser terrivelmente insuportável.
O pior tipo de chato é aquele que fica pedindo para lhe seguir. Não tem nada pior do que o constrangimento de ter que ler isso. A primeira coisa que fazemos é simplesmente ignorar o chato. Só que algumas vezes isso não é o suficiente. Chato que é chato sabe ser insistente. Ele pede de novo e de novo e de novo. Até que você acaba seguindo o infeliz só para não ter que dizer: “Velho, não vou lhe seguir por que não tenho o menor interesse no que você tem a dizer. Além disso, você é chato pra cacete”. A educação impede tal reply. Por isso, você acaba seguindo o cara mesmo que contrariado.
Outro tipo de chato é aquele que vive lhe entupindo de comentários. Tudo que você posta, ele tem alguma crítica, uma opinião que julga pertinente, um adendo que considera válido. O que pega aqui é a persistência em sempre ter algo a corrigir, reparar, complementar. Só que o que ele acha relevante, na verdade, é uma baita empulhação. A groselha costuma vir calcada de moralismo e do enfadonho politicamente correto. E tem vezes que é pior: o fanatismo religioso é o que motiva o seu viver. O que é de embrulhar o estômago. A arte de filtrar o olhar e não enxergar tanta bobagem pode ser válida nesse caso.
Mais um tipo de chato que é mato no Twitter é aquele galinho de briga. Está sempre pronto para um fight verbal. Ele tem certeza de tudo, saca tudo e, por vezes, é pau mandado de algum figurão. Esse cabeça de área do mundo virtual é chato por que falta substância às suas opiniões. Todo comentário do cara é direcionado àquilo que ele ardorosamente defende. Chato até não poder mais, ele ainda se acha representante do zelo de alguma coisa. Na verdade, até é: ele zela do próprio contracheque – motivação mais que justa para agir de forma cuidadosa. Mas ele que zele do ordenado dele em outra banda, deixando a gente em paz.
Depois de tanto chato que já topei no Twitter, é impossível não agradecer de joelhos pela criação de um comando simples e que ainda usei pouco chamado block. Se o cara realmente merecer, não há por que ter constrangimento: block nele sem medo de ser feliz.