É difícil processar o que aconteceu no Samauma nesse final de semana. Treta entre policiais? Eles armados em um ambiente onde o consumo de álcool é regra, não exceção? Tiros dentro e fora da boate entre eles? Pelo amor de tudo quanto é sagrado, pare tudo que é preciso voltar para o começo.
Sei que é direito do policial portar sua arma em qualquer ambiente, mas não é prudente. A lei, nesse caso, não está alinhada com a moral, com o certo a se fazer. O cara não pode estar armado onde vai consumir álcool. Se não lhe é permitido sequer dirigir, como portar uma arma? Não há justificativa.
A explicação de que ele pode encontrar um bandido que queira a forra não convence. Afinal, assim como o policial passou pela revista e sua arma foi identificada pela segurança da casa, a do marginal também será. O jogo estará empatado e a equipe da boate agirá para evitar qualquer problema.
Quem não é da área não imagina o problema que é para o proprietário da casa noturna essa história de policial armado na balada. Em primeiro lugar, o cara tenta a famigerada carteirada para entrar sem pagar o ingresso. Isso já mostra mau caratismo. Afinal, o intuito ali é de diversão e não de trabalho. Logo, ele é um cidadão comum. Mais um na multidão que, como todos, deve pagar o valor da entrada para curtir a noite.
Depois desse estresse, vem o problema da arma. Algumas casas contam com o cofre. As que não têm, ou proíbem a entrada do cara ou deixam na mão de Deus. Esse parece ter sido o caso do Samauma. A grande questão é que o cofre da boate não está ali para atender policial em momento de diversão. O equipamento é para a segurança da casa. Não há razão para o fardado de folga querer fazer uso do cofre.
Se o empresário cede, fica aquele fluxo perigoso para o empreendedor de alguém armado, e sabe-se lá com que índole, conhecendo as entranhas do comércio. Até mesmo onde fica a reserva financeira do estabelecimento.
Como cidadão, o policial tem todo o direito de se divertir, curtir a festa e tomar todas. Nada mais normal. Mas não é aceitável que ele esteja portando uma arma nesse momento de lazer. Se ele considera que as particularidades de seu trabalho exigem que ele esteja 24 horas por dia com uma pistola ao seu alcance, o melhor é não sair de casa. Afinal, quem corre perigo não deve ficar dando bandeira por aí. Se mesmo com essa constatação ele não abrir mão da balada, talvez seja a hora de prestar concurso público para outra área.
A sociedade não aguenta mais a insegurança. E o pior é quando essa sensação vem por causa de ações irresponsáveis de quem deveria garantir nosso bem-estar.