Yuri Lopes
Goiânia – Enquanto mais pessoas se locomoverem pelas cidades de carro, não haverá possibilidade de melhoria no transporte público coletivo. Esta é a opinião da diretora executiva da HP Transportes, Indiara Ferreira. Em entrevista ao jornal A Redação, a executiva falou sobre os problemas do setor, das alternativas criadas para tentar melhorar a experiência do usuário de transporte coletivo.
Indiara conta que caso o modelo atual de transporte em Goiânia continue, a cidade entrará em colapso em um futuro muito próximo. "Entendemos que uma das formas para que a mobilidade urbana ser sustentável, para que as cidades estejam de pé daqui cinco anos é garantir que a maioria dos deslocamentos seja feita por transportes público coletivos”, comenta ela.
Indiara reconhece que Goiânia precisa contar com serviço de transporte público coletivo de qualidade, mas acha injusto que o ônus recaia somente sobre as empresas. “Garantir qualidade em todo o sistema não é uma tarefa fácil e não depende somente da empresa operadora. Incluem nesta conta a infraestrutura e a priorização do serviço, que depende do poder público”, destaca a executiva.
Para a diretora da HP, o sistema viário deve ser disponível para a maioria das pessoas, sendo que hoje é o contrário, com políticas públicas voltadas para o incentivo ao transporte individual. “Com o crescimento do número de carros e motos, o ônibus fica preso por mais tempo no trânsito, que por sua vez fica cada vez mais lento”, explica ela.
Alternativas mais simples
Indiara considera que, mesmo sem que não esteja na pauta dos políticos goianos, a construção de um metrô em Goiânia não seria uma alternativa viável para melhorar o trânsito na capital, nem mesmo em médio prazo. “Goiânia não precisa de metrô, que é caríssimo e demorado para se construir. Precisamos, neste primeiro momento, de vias preferenciais e faixas exclusivas para reverter a situação atual”, declara.
Novidades tecnológicas em aplicativos para mobilidade urbana são consideradas pela equipe da HP Transportes há mais de dois anos. “Aplicativos como Uber não é solução para o problema da mobilidade urbana, já que ele continua sendo um transporte individual. Do jeito que está, sem que haja uma mudança, o caos é inevitável”, concluir ela.
Vias com menos carros e mais presença de outros modais como as bicicletas, os patinetes e mais espaço para o pedestre garantem que o espaço urbano seja utilizado de forma sustentável e coletiva pelas pessoas. Para a diretora da HP, conseguir esta meta é fator crítico de sucesso. “Espaço urbano é coletivo e assim deve ser utilizado”, declara ela.
Saber quais são as responsabilidades de cada agente envolvido no sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia é algo ainda muito raro na população que usa o serviço. “Precisamos criar a consciência desta mudança [de priorizar o coletivo], expandir este conhecimento na nossa família e empresa, até que chegue no poder público, que é um agente muito importante nesta mudança de pensamento”, comenta Indiara.