O Black Sabbath virá ao Brasil em outubro. São três datas em território nacional, passando por São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. É a primeira vez que três quartos da formação original dos criadores do heavy metal tocarão juntos em nosso país (o baterista Bill Ward não topou a empreitada por questões contratuais).
A banda já tocou por aqui sem seu vocalista de primeira safra, Ozzy Osbourne. O ex-comedor de morcegos e atual bonachão televisivo também já apresentou sua carreira solo em nossa terra várias vezes. As duas partes juntas é o fato histórico em questão.
Os fãs de outras fases da banda que me desculpem, mas para mim Black Sabbath é com Ozzy no vocal. Não gosto das outras formações. Todas soam como mero pastiche do que considero o período áureo.
Sei que não é consenso, tenho noção de que Dio tinha um vocal mais técnico que Ozzy. Mas se eu fosse observar exclusivamente a técnica, seria mais fã de erudito do que de rock n’ roll. Como não é o caso, feeling para mim conta mais. E, nesse quesito, Black Sabbath com Ozzy é insuperável.
Mudei de domicílio há alguns meses e estou com o orçamento no limite, tal qual todo trabalhador brasileiro que se mete nessa loucura de financiamento da casa própria. Esperei até o início de junho para ver se teria condições de bancar a ida ao show dos ícones do metal.
Depois de muita calculadora, a razão e a prudência me recomendavam esquecer o projeto. O coração mandava cair dentro. Que se dane a parcimônia! Comprei os ingressos, passagem e hospedagem na terra da garoa. It’s only rock n’ roll, but I like it. E que Deus abençoe o Decolar. Ou melhor, como se trata de Sabbath, o cramunhão!
Nada tem tocado com tanta intensidade no meu equipamento de som do que o último álbum dos caras, o 13. Fiquei impressionadíssimo como o disco dialoga em alto nível com o melhor da carreira do Sabbath, no meu entender, os quatro primeiros discos – Black Sabbath, Paranoid, Master of Reality e Vol. 4.
As músicas são lentas, arrastadas, densas. Tudo que se espera da banda está ali. A maldade nítida em cada riff, a sensação de desespero no compasso agonizante, a desesperança narrada pelas letras. A verdadeira trilha sonora do inferno. Quer coisa mais linda que isso?
Minha expectativa para o show está alta. Vi o set list das últimas apresentações e só tem o fino do timbre. Nada de groselha, nada de fase ruim. O suprassumo do problema, como todos fãs do Sabbath esperamos. Tenho certeza que meu outubro negro será inesquecível!