A música Into the Void era a segunda do set list do Black Sabbath na última sexta-feira em São Paulo e eu já estava satisfeito. Mesmo se eles não tocassem mais nada depois da pedrada de abertura War Pigs, eu já estaria contemplado.
Gritei oh, Lord, yeah! com toda força que meus pulmões permitiam e a felicidade plena preencheu meu ser. Coisa que só a arte que lhe sensibiliza profundamente é capaz de proporcionar. Os timbres densos, a aura soturna, a pegada arrastada… Tudo aquilo me levou para dentro do vazio tal qual o título da segunda canção do show anunciava. Eu estava feliz por ser acachapado com o peso dos pais do metal.
A minha experiência no show do Black Sabbath foi inteiramente positiva. O repertório foi predominante de clássicos de minha fase preferida da banda (no caso, os quatro primeiros álbuns), três quartos da formação original tocando aquelas músicas que amo desde minha adolescência, boa qualidade de som onde eu estava assistindo ao espetáculo, conforto razoável se pensarmos que um público de 70 mil pessoas estava ali presente. Não tenho do que reclamar.
Preciso me aprofundar um pouco mais sobre o espaço do show. Eu não conhecia no Campo de Marte, no bairro de Santana na zona norte paulistana. Trata-se de um aeroporto para aviões de pequeno porte. É um amplo gramado que oferece boa visibilidade do palco independente de onde você esteja – o que quando pensamos em grandes eventos é uma vantagem significativa.
Optei por ficar no lado oposto à entrada. Com isso, eu tinha aquilo que considero perfeito para assistir um show: estar em um ponto equidistante entre o bar e o banheiro, boa visão de palco e o som do PA chegando com qualidade. Meu ingresso era de pista simples e consegui ter o conforto que sempre procuro no Campo de Marte.
Além disso, como fui com boa antecedência, não sofri com os congestionamentos e peguei um estacionamento relativamente próximo, embora com preço abusivo para nós goianos (usual para os paulistanos) de 50 reais.
Voltando ao show, alguns momentos particularmente marcantes: a pedra fundamental do heavy metal Black Sabbath com direito inclusive à tormenta que também inicia o primeiro disco da banda, o solo de baixo de Geezer Butler na introdução de N.I.B., Ozzy Osbourne gritando cocaine em Snowblind, o respeito do baterista Tommy Clufetos que acompanha a banda pela pegada original e insuperável de Bill Ward, todos os riffs históricos de Tony Iommi com seu imponente e inspirador bigode… Meu amigo, muitas emoções para um roqueiro velho como eu!
Risquei mais um nome da minha lista de shows que preciso assistir antes de morrer. Muito obrigado, Black Sabbath! Em dezembro, tenho o Stevie Wonder pela frente e estou certo que também será marcante. E continuo na torcida pelas turnês de Neil Young e The Who pelo Brasil… Será que em 2014 rola?