Todos os anos, além da chamada população economicamente ativa, ou seja, aquela que é responsável por toda a produção do Brasil, um universo de jovens entra no mercado de trabalho. É um processo natural. A cada ano, estima-se, 1,7 milhão de pessoas chegam ao mercado em busca do primeiro emprego. Já a população economicamente ativa é estivada em 79 milhões de pessoas e sobre ela há 13 milhões de desempregados, além daquele universo que já perdeu as esperanças.
Então, quando o governo vem e anuncia que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 0,2% no segundo trimestre, isso não significa absolutamente nada, além do desejo, quase esperança, que esteja havendo uma reversão da curva e mais para a frente haja de fato um crescimento substancial.
É sobre essas coisas que acho que deveriam falar os nossos candidatos, nem que fosse apenas para admitir que há essa realidade. Mas ficam apenas no superficial, nas promessas, na falsidade de vendedores de ilusões. Como acreditar em pessoas que até hoje nada fizeram e, de repente, apenas por que querem seu voto, se lançam como salvadores da Pátria?
Bem, estamos chegando ao momento da verdade. Ninguém irá tirar o País desse atoleiro assim, num passe de mágica. Vivemos no mundo das emergências. Pega fogo no museu, todo mundo corre para um lado, afunda o barco noutro lado, todos correm para outro. Próprio cenário de um País totalmente à deriva e sem governo.
Pior que essa situação é a constatação de que não há entre os postulantes ninguém falando de verdade sobre o que se pode fazer, quais são as alternativas etc.. Em vez disso ficam com propostas pouco plausíveis, de acabar por exemplo com a inadimplência. Isso não existe. Para você voltar a ter crédito primeiro seu credor precisa aceitar receber bem menos, depois você precisa ter uma linha de crédito para pagar esse menos, por fim é preciso saber quem vai bancar e se você terá condições de honrar o novo compromisso. Na situação de desemprego em que vivemos, mesmo condições muito boas acabam sendo ruins para quem está à beira de um ataque de nervos.
O que as pessoas não conseguem entender é que o brasileiro está vivendo uma realidade que eles desconhecem. Falam por exemplo que vieram de uma vida simples, sem jamais entender o que seja isso. Simples, senhores candidatos, é acordar cedo, olhar para o lado e não ter nem o que fazer, nem o que comer, nem para onde correr. Muita gente vive assim no Brasil. Pense nisso na hora de votar, em quem produziu essa situação e em quem talvez tenha instrumentos para tentar resolver. Não apenas presidente, mas todos os políticos que querem seu voto. Será que sabem como o brasileiro médio está vivendo?