Uma nova realidade no mundo do trabalho ganhou destaque neste período de intensa crise da saúde pública mundial, com a pandemia do novo coronavírus: o chamado home office, ou teletrabalho. Com o número ainda assustador de mortes e de ocupação de leitos de UTI em todo o país, muitas empresas seguem adotando o trabalho remoto para proteger a saúde de seus funcionários e clientes, e ainda não há vislumbre certo de quando a situação vá se amenizar. Apesar do momento excepcional, é possível que o trabalho à distância tenha vindo para ficar.
No primeiro momento, com a incerteza em razão da chegada do vírus Sars-CoV-2 no Brasil, rapidamente as empresas adotaram o teletrabalho como solução para manter sua produtividade e, ao mesmo tempo, proteger a saúde pública de maneira geral. Pesquisa realizada em meados de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 2.528 estabelecimentos, mostrou que em diversos ramos as empresas adotaram o home office de algum modo, nos setores em que era possível o trabalho ser realizado em casa. Dividindo por setor, 80,4% das indústrias adotaram o trabalho remoto, 68,6% das prestadoras de serviços, 59,6% das empresas de construção e apenas 26,6% no comércio.
A mesma FGV no estudo “Tendências de Marketing e Tecnologia 2020: Humanidade Redefinida e os Novos Negócios”, prevê um crescimento de cerca de 30% do teletrabalho mesmo no pós-pandemia, o que era já uma tendência muito concreta no mundo e que foi acelerada pela crise sanitária. O mais provável é que um grande número de empresas adote um modelo híbrido de trabalho, em que se permitem aos funcionários trabalharem alguns dias da semana remotamente.
O modelo do home office é uma saída econômica interessante, pois evita custos e tempo com deslocamentos e permite uma redução considerável da estrutura física das empresas, permitindo manter o fôlego após a pandemia. No entanto, parece mesmo que a adoção de modelos híbridos deverá ser mais vantajosa, isso porque o trabalho presencial tende a ser menos dispersivo e mais organizado, ao tempo que reforça o sentimento de equipe, quando o caso exige. Os próprios trabalhadores é que apontam essa dificuldade com o trabalho remoto de maneira exclusiva, como aponta pesquisa do Centro de Inovação da FGV, em que 56% dos entrevistados disseram ter dificuldade com o trabalho remoto.
Por ora, com uma crescente da média móvel de mortes pela Covid-19 em boa parte do Brasil, o trabalho remoto é sinônimo de responsabilidade social das empresas, que preservam a vida de seus trabalhadores e clientes. Mas num futuro muito próximo, poderá ser tendência inafastável na nova morfologia do trabalho do século XXI.
*Murilo Chaves é advogado trabalhista e conselheiro da OAB-GO