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Uma questão na responsabilidade socioambiental

10.10.2020 - 18:32:24
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Um dos pilares da educação acadêmica está apoiado na sensibilização à responsabilidade socioambiental. É muito comum que observemos clamores populares por ações dessa natureza evocados especialmente ao poder público. Isso de fato é uma das atividades que deveriam estar presente nas rotinas da administração pública. As evidências nessa ordem são exaltadas especialmente em datas comemorativas às respectivas temáticas, sendo esquecidas nos demais dias do ano. Há de se observar, porém, que a responsabilidade socioambiental é coletiva, tanto nas ações a serem executadas quanto no recebimento dos benefícios advindos delas, sendo um dever cívico a cooperação individual e atuação do Poder Público em seu favor.
 
Tão gratificante é poder participar de uma ação social e perceber que várias pessoas estão sendo acolhidas por projetos que permitem-lhes receber desde uma orientação sobre alcançar melhor qualidade de vida até mesmo garantir-lhes oportunidade de vivenciar aquilo que lhes é tolhido em razão da ausência estatal.
 
Nessa perspectiva de apresentar soluções para lacunas socioeconômicas, tem-se a criação de Organizações Não Governamentais (ONGs), que reúnem pessoas de diversas características e sonhos com o objetivo maior de coletivizar recursos que são restritos a poucos. Há uma enormidade de ONGs que trabalham com o objetivo de multiplicar atividades de responsabilidade socioambiental. Algumas encontraram o caminho das academias universitárias e possuem nessas apoio e parceria numa crescente efetivação dos propósitos.
 
No ambiente universitário, é muito provável que estudantes encontrem vários momentos e situações que lhes possibilitem construir pensamentos de diversidade, de ampliação de cultura, de respeito ao coletivo e mais que isso, de ação. Começam de forma tímida e se embrenham no desejo maior de fazer acontecer pelo outro. Buscam alternativas financeiras, procuram organizar espaços de acolhimento, estudam as maiores necessidades da comunidade, entram em universos infinitos de necessidades. Ao final de tudo, constroem modos de agir que alcancem o máximo de pessoas que puderem, mas se não vier o público esperado, não se importam, farão outro momento.
 
E as ONGs onde elas se encaixam? Em diversos estratos, nascem no meio desse público acadêmico, nascem após a vida universitária, nascem até mesmo antes de um momento de maior estudo científico. Se revestem com os sonhos de jovens buscando a Justiça Social, que se pautam na experiência de catedráticos pesquisadores, se organizam em modernos modelos de gestão, encaram os desafios como oportunidade de crescimento pessoal, desenvolvem soluções criativas e, muitas vezes, pouco onerosas.
 
Sem sombra de dúvidas que há um ganho para todos envolvidos, especialmente para esse público universitário, que alcançará o mercado de trabalho em poucos dias, sensibilizados e cientes das diferenças sociais e a escassez de recursos ambientais, com mais energia para propor distribuição de oportunidades e de cuidar melhor dos ambientes naturais.
 
Somando essas necessidades a ONGs e estudantes universitários, percebe-se um ganho expressivo em países em desenvolvimento, como Brasil, que ainda está se estruturando em vários setores e nem sempre possui uma política de continuidade com programas para melhoria das condições de vida da população ou conservação das condições do ambiente.
 
A atuação das ONGs complementa as lacunas deixadas pela ausência de políticas públicas específicas e/ou investimento orçamentário público. É necessário seguir com as demandas para uma melhor atuação da administração pública, é verdade. Mas o trabalho desenvolvido até pelo terceiro setor é a ponte entre as ações individuais e o impacto coletivo. A valorização do empreendedorismo social resulta em maior consciência socioambiental e deve acontecer dentro e fora da academia, como parte da formação cívica de cada cidadão.
 
*Sandra Oliveira Santos é professora da Faculdade Estácio Goiás 
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por Sandra Oliveira Santos

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