A Orquestra Filarmônica de Goiás é um dos maiores patrimônios da cultura goiana. Inclusive, é considerada uma das melhores orquestras brasileiras. Desde a sua criação, sob a regência do maestro pirenopolino Braz Wilson Pompeo de Pina, em 1980, a Filarmônica sempre se manteve na vanguarda musical, contando com um quadro de profissionais de primeira linha e infraestrutura adequada para o desenvolvimento.
Sob o comando do maestro britânico Neil Thomson, atingiu sua maturidade artística e técnica. Recentemente, fez grandes apresentações em Campos do Jordão (Festival de Inverno) e na Casa São Paulo (na capital paulista), com fortes elogios do público e da crítica especializada. Em toda a sua trajetória, o Estado de Goiás nunca deixou de apoiar a orquestra. E agora não será diferente!
Os contratos assinados pela gestão anterior com os integrantes da orquestra eram temporários e estavam vencidos. E a prorrogação infringiria a Constituição Federal, o que foi bem alertado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no final de setembro. Era uma situação legalmente insustentável.
Por isso, a contratação dos músicos por meio de uma Organização da Sociedade Civil (OSC), que vai gerir a Orquestra Filarmônica de Goiás, é o melhor caminho para resolver o problema. O edital será aberto até o final deste ano e deve ser concluído em março de 2021, quando divulgaremos o vencedor.
E, neste mesmo edital, a entidade sem fins lucrativos também será responsável pelo comando da Escola de Artes Basileu França. Hoje, os estudantes de música da escola se apresentam com a Orquestra Jovem de Goiás, que, apesar da excelente qualidade profissional, ainda é um conjunto de formação.
Nossa ideia é que a Filarmônica e o Basileu se juntem a partir do ano que vem, com a entrada da OSC. Dessa forma, os músicos experientes se tornam professores na escola, qualificando ainda mais o ensino e a seleção dos jovens para a orquestra.
Exemplo é a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que é gerida por uma Fundação Social de Cultura. A Osesp tem dois programas de ensino: a Academia de Música, voltada para encontrar novos profissionais para as orquestras brasileiras; e a Formação de Professores, que oferece cursos para docentes com ou sem conhecimento musical com objetivo fornecer subsídios teórico-práticos para que ele desenvolva atividades musicais em sua escola.
Temos certeza de que a sinergia entre a Orquestra Filarmônica de Goiás e o Basileu França vai tornar a música goiana ainda mais forte. O Estado nunca deixará de ser referência na área. Por isso, reafirmo que a contratação de uma entidade sem fins lucrativos é a melhor saída para a orquestra e para o povo goiano. Em breve, a Filarmônica, por meio do poder transformador da música, vai voltar a levar ao público momentos de leveza, esperança, reflexão e otimismo.
*Marcio Cesar Pereira é secretário de Estado de Desenvolvimento e Inovação.