Goiânia – Começaram no último final de semana os campeonatos estaduais de futebol. E eu não me dignifiquei nem a ligar a televisão. Imagine ir ao estádio… Há uns bons anos que não animo com os estaduais. Posso até ir ao estádio, posso até assistir os jogos decisivos pela televisão. Mas é meramente protocolar. Não há emoção e a sensação de campeão desses torneios é igual dormir na própria cama. É inegavelmente gostoso, mas não podemos dizer que é um momento especial e único.
Além desse fator de emoção, os estaduais são deficitários para os clubes maiores. Perdem dinheiro, desgastam o elenco e não animam a torcida. Completamente sem sentido participar de algo assim. Para esses times de tradição, o ideal seria uma preparação mais prolongada para entrar com o time afiado nos campeonatos que realmente importam. No meu caso, torcedor do Goiás, prefiro um milhão de vezes uma campanha de encher os olhos na Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Sul-Americana do que outro troféu do Goianão na galeria, mesmo se tratando de um tricampeonato.
O exemplo do Atlético Paranaense no ano passado não pode ser desprezado. O time principal abdicou da disputa do estadual e focou em uma preparação aprimorada. Até passou por aqui para um amistoso contra o Goiás. Os resultados não poderiam ser mais convincentes: excelentes campanhas no Brasileirão e Copa do Brasil, com direito a vaga na Libertadores da América. Bem interessante para um time de médio porte no cenário nacional.
Acho que deveríamos criar campeonatos ainda mais regionalizados para que os times do interior pudessem ter atividades e chances reais de título. Além de estimular a rivalidade futebolística entre as cidades, oferecer opção do torcedor do interior ir ao estádio, possibilitar que o pequeno comércio consiga também investir em publicidade no futebol…
Essa é só uma ideia, não se trata de um elixir mágico para resolver nosso problema de calendário no futebol. Não sei qual seria a solução, mas ela existe. Tenho certeza que tem gente bem paga na CBF para pensar nisso. Só não sei se ela teria competência para tal ato… Mas aí são outros quinhentos.
O fato é que minha abstinência de futebol só deverá acabar em março, com o início da Copa do Brasil. Até lá, vamos nos enganando com esses joguinhos dos regionais, tão prazerosos quanto cerveja sem álcool.