Recebo um memorando no trabalho. Determinado setor precisa confirmar se ainda existo e, para isso, é necessário que eu preencha um formulário internet. Beleza! Não vejo problema algum entrar em um site e digitar uns caracteres. Certamente será menos do que as groselhas que posto diariamente nas redes sociais… O problema vem logo adiante, no mesmo memorando: uma lista gigante de documentos que devo entregar as cópias no recursos humanos. Bem-vindos ao século XIX.
Alguém consegue me explicar por qual razão estapafúrdia as pessoas ainda precisam de tanta burocracia, tanta cópia de papel? A digitalização é uma realidade. Os trâmites virtuais aceleram os processos, dão mais transparência, economizam papel, facilitam a vida e melhoram a vida de todos envolvidos. Alguns órgãos já funcionam assim e têm desempenho exemplar. O problema é que o Estado brasileiro está no século XIX, com trabalhadores do século XX e demandas do século XXI. Tudo em descompasso. Com tudo para dar errado.
Nesse caso mais específico, a situação é ainda mais gritante: eles já têm todos os documentos solicitados em nossas pastas individuais. Para atualização, talvez fosse o caso de pedir somente aquilo que mudou. Por exemplo, os motoristas que tiverem renovado a CNH, faz sentido entregarem uma nova cópia. Ou quem se mudou de casa, atualizar o endereço. Fora isso, é só burocracia burra e sem sentido. Só para entulhar mais papel no canto. Aumentando os ácaros e sem preocupação ambiental alguma.
As pessoas somente repetem as ações que já eram normas antes mesmo delas nascerem. Não refletem, não questionam. Agem por inércia. “Já estava assim quando eu cheguei” – o ensinamento de Homer Simpson é seguido à risca. Enquanto isso, o mundo vai girando, mudando e a estrutura burocrática cada vez mais arcaica e defasada.
Já ouvi por aí que os resultados serão sempre os mesmos se as atitudes também forem as mesmas. Parece clichê de autoajuda barata, e até acho que seja, mas tem sentido. Se o Estado continuar repetindo suas atitudes anacrônicas para a atualidade, continuará apresentando esses resultados pífios que a sociedade diariamente percebe. Está passando da hora desse mastodonte chamado Estado se transformar em algo contemporâneo, moderno e funcional para quem depende de seus préstimos. Sem tanta papelada, sem duas cópias, sem reconhecimento de firma em cartório. Basta.
Bem-vindo ao século XXI!