Goiânia – Agora esse mundo velho e sem porteira está no caminho certo! Depois de séculos estudando como deixar o lugar onde passamos poucos e míseros anos mais decente, finalmente temos a resposta! Basta montar um grupo no WhatsApp. Simples assim. Não sei por que diabos cientistas perderam anos enfurnados em laboratórios insalubres se a solução para todos os males da humanidade estava literalmente ao alcance das mãos. Sinto algo diferente no ar. Agora vai!
Não importa o círculo social que você frequente, alguém já montou um grupo no WhatsApp. Sempre na melhor das intenções. E seu celular foi ali colocado sem a menor cerimônia, sem nem antes perguntar o signo ou beber um vinho. A coisa é direta. Sinal dos tempos e do imediatismo imposto pela internet.
E dá-lhe grupos no aplicativo verde. Colegas de trabalho, a galera que é mais chegada do serviço, amigos do segundo grau, família, vizinhos de condomínio, pais que têm filhos na mesma sala de aula, fãs de travestis, leitores do Lobão… A lista é infinita.
E todos têm a mesma dinâmica. No começo, as apresentações são efusivas. Todos estão alegres e esbanjam simpatia. Se é um grupo de velhos conhecidos, cada um dá uma resumida no que anda fazendo. Depois, começam as piadinhas e as mensagens religiosas. Nada mais democrático e inclusivo do que imagem engraçadinha ou de oração no WhatsApp: você recebe a mesma tanto de seu chefe milionário quanto do flanelinha que vigia carros no seu boteco preferido.
Aí vem a fase das conversas sérias. Um mete o pau no governo do Dilma, outro o defende. Todos usando argumentos tão racionais quanto numa briga de torcida organizada na arquibancada do Serra Dourada. Um sai do grupo e xinga muito no Facebook. A maioria fica na sua pois não tem mais saco para esse papinho. E ainda bem que as eleições já passaram, pois estava difícil ficar em alguns grupos com tanta gente cega pela opção partidária. Ficou para trás.
O tempo passa e chega a fase do marasmo, quando o grupo é meio que deixado de lado e vai ficando lá no fim da barra de rolagem. Ninguém tem mais nada a dizer para o outro, a não ser por uma pornografia eventual compartilhada nos grupos de unanimidade masculina. Sério, se eu trabalhasse no WhatsApp iria contabilizar qual o percentual de mensagens de texto, foto e vídeo de cunho pornográfico que são compartilhadas. Tenho certeza que são majoritárias. Ou então todos os grupos que participo é dominado por pervertidos contumazes. Talvez a segunda hipótese seja a mais plausível…
A real é que um grupo de WhatsApp não serve para nada. Ou melhor, quase nada. Serve para revelar algumas coisas: quem tem tempo sobrando no trabalho para ficar no aplicativo, quem faltou aulas de Português além da conta, quem sofre de carência afetiva pois sempre responde com agilidade, quem é petista, quem é tucano e quem gosta de sexo com anões. Fora isso, grupo de WhatsApp é mais inútil que biquíni em praia no Irã.