Goiânia – Todo mundo que xinga muito a tríade Dilma/PT/Lula está certo. Não faltam motivos para o achincalhamento desses que nos atolaram no esgoto político, econômico, social e cultural inacreditável que nos encontramos. É claro que os motivos da revolta variam de pessoa para pessoa, dependendo do perfil ideológico do indivíduo. Para mim, o legado mais nefasto do PT é o fortalecimento de uma direita inescrupulosa, do pior tipo que existe. E esse perfil é encarnado na figura de Eduardo Cunha.
Não tenho a menor dúvida que o presidente da Câmara é quem personifica o que de mais abjeto existe na política brasileira. E a sua proposta de reforma política que entra na reta final agora é a prova cabal disso. Repito, se esse cara conseguiu o poder que atualmente esbanja foi devido aos equívocos que o PT cometeu desde que subiu a rampa do planalto no já longínquo janeiro de 2003.
O tal do distritão simplifica algo que não deveria ser simplificado. Penso que o distrital misto é o sistema que melhor favorece a pluralidade nos parlamentos. Ou seja, não é rebaixando o nível do processo para facilitar o entendimento que vamos melhorar a qualidade dos eleitos. Os parlamentares celebridade e os que já gozam de mandatos consecutivos saem na frente no distritão. O distrital misto poderia aproximar o candidato de sua localidade e ainda oferecer a oportunidade do voto de opinião ter relevância. Perdemos feio nessa. De 7 a 1.
Outro problema sério é no financiamento das campanhas. A proibição das doações por empresas e a definição de um teto baixo para as de pessoa física seria o primeiro passo para alguma moralização. É claro que isso não está na pauta, pois o objetivo não é moralizar nada. A doação via partido só visa complicar ainda mais checar de onde veio a grana das campanhas e favorece os caciques de cada legenda.
E atente-se ao paradoxo: enquanto o distritão estimula o personalismo e o cada um por si nas eleições, a grana vai para o partido que distribuirá aos candidatos. Esquizofrenia pouca é bobagem.
Juntar todas as eleições em uma única data é outro erro gigantesco. A pauta municipal é completamente diferente da estadual e federal. Misturar os assuntos só favorece quem já está por cima da carne seca. Os temas da cidade (lixo, iluminação, buraco na rua…) vão competir com o debate macro (política ambiental, cenário econômico, relações internacionais) e tudo vai se perder na vala comum. Coincidir as eleições só vai bagunçar mais a cabeça do eleitor.
Na boa, com esse Congresso pau mandado de Cunha não precisamos ter esperança de que a coisa melhore. E PT, eu não me esqueço: a culpa é sua.