No domingo, 17, 5148 goianos bachareis em Direito fizeram a prova do Exame de Ordem em Anápolis, Goiânia, Itumbiara, Jataí e Rio Verde. O gabarito preliminar já foi divulgado, mas o resultado desta primeira fase será publicado apenas em 8 de agosto.
Quem tiver acertado 50% das 80 questões, automaticamente está aprovado para a segunda fase, que acontece em 21 de agosto, quando o candidato tem de redigir uma peça prático-profissional e responder quatro questões discursivas com consulta à legislação seca (lei, códigos e Constituição Federal)e obter, no mínimo, 6 de nota que vai até 10. O resultado final sai em 4 de outubro. Os aprovados entram para os quadros da OAB-GO em sessões solenes em novembro e dezembro e já começam 2012 como advogados.
A maioria dos inscritos, previsivelmente, não será aprovada. Não porque o Exame de Ordem é difícil, mas é evidente que, com a mercantilização da educação, as instituições superiores estão mais preocupadas em engrossar o número de matriculados pagantes, submetidos a vestibulares ridículos, do que em oferecerem ensino de qualidade.
Os milhares de reprovados, despeitados, se encarregarão de propagarem mitos sobre o certame, imbuídos de falsa expectativa de verem a seleção flexibilizada como uma forma de compensação. A Ordem dos Advogados do Brasil se mantém ciente do seu papel e assegura que o exame é um instrumento de defesa da sociedade, usado como critério para habilitar profissionais para atender aos cidadãos brasileiros.
Leia abaixo as inverdades mais comuns.
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Alguns dizem que a OAB estaria interessada apenas em arrecadar o dinheiro das inscrições, que custam R$ 200. Trata-se de uma falácia, pois a anuidade da OAB-GO, por exemplo, custa R$ 855, mais de quatro vezes o preço pago para se fazer a prova. Qual dos dois valores seria mais interessante para a instituição arrecadar? Obviamente o segundo. Se todos os inscritos neste exame fossem aprovados, a OAB-GO receberia, com cálculo na anuidade atual, quase R$ 4,5 mi apenas dos novos inscritos, contra R$ 1,03 mi de inscrições, valor repassado à Fundação Getúlio Vargas, contratada para realizar a prova. A OAB se pauta pela qualidade e não pelo número.
Concorrência
O Exame de Ordem não tem concorrência nem número limitado de vagas. Quem acertar metade da prova da primeira fase e tiver no mínimo nota 6 na segunda, com direito à consulta, de uma nota que vale 10, e não tiver nada no currículo que atente contra, está nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil.
Erros de português
Ao contrário do que dizem, pequenos erros de língua portuguesa não zeram a prova. A menos que você escreva mais ou menos assim: “A ordi dos adevogado du Brazil…", pode ficar tranquilo. Erros implicam na redução da nota final, mas somente se a redação for de fato ruim ou se sua nota ficar na zona limítrofe de aprovação. Pequenos erros no corpo de uma boa petição, com redação clara, não impactam na nota final.
Concurso
Muitos estudantes de Direito fazem o curso, mas descartam advogar. A advocacia faz parte do tripé da Justiça, tal como Ministério Público e Judiciário. Entre advogado, juiz e promotor, por exemplo, não há minoração nem superdimensão. Ou seja, os três profissionais de carreira jurídica têm, em tese, de ter o mesmo preparo e prática. Alguns concursos públicos cobram tempo de inscrição na OAB como critério de seleção. Mesmo que o bacharel não queira seguir a advocacia, recomenda-se submeter ao Exame de Ordem para estar apto a pleitear vaga em qualquer concurso.
Pegadinha
Não tem pegadinha em Exame de Ordem. A prova é tecnicamente justa, tal como o exercício da profissão e as peças que os profissionais se depararão no decorrer da carreira. No entanto, na vida real também há situações tão inusitadas que podem parecer pegadinhas, mas este não é o objetivo.